A Associação pola Defesa da Ría de Pontevedra classifica de “remendo caro e ineficaz” o projeto de dragagem do Lérez

A entidade apresentou várias alegações ao projeto impulsionado por Portos de Galiza ao considerar que "pode gerar novos impactos ambientais no rio Lérez e nas rias de Pontevedra e Arousa, afetando os seus sistemas produtivos"

Rio Lérez ao seu passo por Pontevedra – CÂMARA MUNICIPAL DE PONTEVEDRA

À Associação Pola Defensa da Ría de Pontevedra (APDR) não convence o projeto de dragagem do rio Lérez, classificado como um “remendo caro e ineficaz”, e pedem a sua suspensão. “É pão para hoje e fome para amanhã”. A entidade divulgou em uma nota de imprensa sua posição após a finalização do período de exposição pública do projeto de dragagem do rio Lérez promovido por Portos de Galiza, um processo no qual a entidade participou ativamente através da apresentação de numerosas alegações.

Neste contexto, a APDR reconheceu a necessidade de realizar ações para mitigar a acumulação de sedimentos e lodos no ecossistema rio-ria, devido à sua “incidência negativa” sobre os setores produtivos e desportivos.

Contudo, advertiram que a proposta atual é “um remendo” que não resolverá o problema de fundo e que, além disso, “pode gerar novos impactos ambientais no rio Lérez e nas rias de Pontevedra e Arousa, afetando os seus sistemas produtivos”.

Segundo especificado, o projeto não aborda as causas que originam a acumulação de sedimentos, como os aterros, vazamentos industriais e fecais, ou certas práticas florestais que favorecem a erosão. A seu ver, sem agir sobre esses fatores, “mais cedo do que tarde o rio voltará à situação atual”. Também criticaram que o âmbito limitado de atuação previsto poderia até acelerar o processo de sedimentação.

“Elevada contaminação”

Também questionaram a metodologia empregada na coleta e análise de amostras, ao considerar que foram tomadas amostras superficiais e descartadas aquelas que consideram perigosas por sua “elevada contaminação”. Sedimentos que, asseguram, permanecerão no Lérez e pela ação de dragagem provocarão contaminação.

Em relação à execução do projeto, a APDR alerta que a natureza fina dos sedimentos favorecerá sua dispersão durante a dragagem causando um “forte impacto na qualidade das águas”.

Além disso, a entidade focou no impacto sobre o setor marisqueiro, indicando que antes do início das obras seria necessário retirar o marisco de tamanho comercial e trasladar os exemplares menores. Operações que, afirmam, repercutirão “negativamente” nos rendimentos do setor, que, além disso, não poderá trabalhar durante a execução do projeto.

Finalmente, alertou que a zona proposta para o despejo dos sedimentos — próxima à ilha de Sálvora –, resulta “inaceitável” pelos seus efeitos “nocivos” sobre os bancos marisqueiros, derivado do deslocamento dos áridos nas correntes marinas.

Por tudo isso, a APDR pediu a suspensão do projeto enquanto não se corrigirem as deficiências detectadas, ao considerar que se trata de uma atuação “cara e ineficaz”, que significaria “pão para hoje e fome para amanhã”.

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