Cisma na Glovo: Comissões Operárias denunciam “repressão sindical” aos seus ‘riders’ na Galiza
A responsável por Eleições Sindicais da FSC-CCOO, Mónica Raposeira, denuncia sanções e demissões a "representantes sindicais" e o uso de objetivos "inalcançáveis"
Imagem da coletiva de imprensa organizada pela Comisiones Obreras para denunciar a “repressão sindical” na Glovo / Europa Press
Comissões Operárias critica fortemente Glovo pela sua gestão em Galiza. O sindicato denunciou esta segunda-feira a existência de “repressão sindical” na empresa e reivindicou a atualização de um convênio para seus empregados e melhoria das condições laborais dos seus riders.
Numa conferência de imprensa, a responsável por Eleições Sindicais da FSC-CCOO, Mónica Raposeira, explicou que após a aprovação da Lei rider, que eliminou os falsos autónomos que trabalhavam para este tipo de empresas de entrega, os sindicatos começaram um processo de formação de comités de empresas.
No entanto, a representante da CCOO denunciou que Glovo “tem colocado desde o primeiro momento pedras no caminho” para evitar estas eleições, primeiro utilizando laudos e, depois de que os sindicatos ganharam, “judicializando o processo”.
Neste sentido, desde Comissões Operárias censuram que os censos que lhes foram fornecidos pela empresa para calcular o número de representantes “não coincidem” com os dados de inscrições na Segurança Social e que, em alguns casos, nem sequer os forneceram. Segundo Raposeira, este “não é um fato isolado” em Galiza, mas sim “está acontecendo em toda Espanha“. Até o momento, eleições sindicais foram realizadas em 9 províncias e em cinco delas a maioria da representação é de Comissões Operárias.
O sindicato denuncia, ademais, que está ocorrendo “repressão aos representantes sindicais”, sancionando-os ou despedindo-os com base em “objetivos inalcançáveis” que atribuem “ao algoritmo” do programa informático com o qual se distribui o trabalho. Mónica Raposeira também assegurou que a empresa fez “uma proposta para constituir 17 centros de trabalho, um por autonomia” para tentar que as eleições não se realizem a nível provincial, algo que “colide com o regulamento”.
Em torno do algoritmo
Paralelamente, o presidente do comité de Glovo em A Corunha, Aklain Morales, apontou que uma das reivindicações essenciais do coletivo, que agrupa 290 riders somente em A Corunha, é conhecer o algoritmo usado pelo programa que lhes atribui os pedidos e que contabiliza o tempo de entrega.
Com base neste algoritmo, estabelecem-se uma série de objetivos “inalcançáveis” pelos quais Glovo, denunciam, “está sancionando” riders, especialmente aos ligados às eleições sindicais. O sistema, aponta, exige cumprir uns tempos na coleta e na entrega dos produtos “que não são realistas” e que não leva em conta questões como corte de vias, o tempo, a situação do tráfico ou o método de transporte do trabalhador.
Ademais, acrescentou Morales, instaram a empresa a sentar-se a discutir melhorias nas condições dos seus empregados, como que se responsabilize pelo combustível e manutenção dos veículos que são propriedade dos riders, poder descansar um fim de semana por mês ou contar com locais para se proteger das intempéries e poder deixar o material. Também exigem um ‘bônus chuva’ para as entregas em condições adversas e um “salário claro” no qual possam conhecer a remuneração de forma detalhada.
Além disso, desde o sindicato também reivindicam que se atualize o convênio de aplicação a este setor, dado que estão utilizando um não renovado há 20 anos. Especificamente, atualmente aplica-se o convênio estatal de mensageiro, que está “sem renovar desde 2006”. O ideal, apontam, seria contar com um convênio próprio que incluísse as particularidades deste setor.