O sucesso do Grupo Puentes no Equador leva a estafadores a usar seu nome em uma trama de ofertas de trabalho falsas
A companhia galega nas mãos da chinesa CRBC concluiu no final do ano passado as obras na megaprisão de El Encuentro
Daniel Noboa, presidente do Equador, durante a visita às obras da prisão de Santa Elena, confiadas ao Grupo Puentes
Grupo Puentes, o grupo construtor com sede em Oroso e controlado pelo gigante China Road and Bridge Corporation alcançou certa fama no Equador, pelas várias obras realizadas no país e por ter finalizado no ano passado uma das mega-cadeias impulsionadas pelo presidente Daniel Noboa. Esse maior conhecimento da companhia fez com que estelionatários usassem o seu nome em um esquema de ofertas de trabalho falsas.
Há algumas semanas, Puentes y Calzadas informou à cidadania que se “havia detectado a difusão, através de redes sociais e de determinados sites, incluindo a plataforma Computrabajo, de supostas ofertas de trabalho no Equador publicadas por terceiros não autorizados que utilizam indevidamente o nome e os símbolos distintivos da companhia“. O grupo indicou que “essas publicações são fraudulentas e não têm nenhuma relação com a empresa”.
“Ante essa situação, Puentes y Calzadas Infraestructuras iniciou de maneira imediata as ações legais correspondentes com o objetivo de proteger seus direitos, salvaguardar sua identidade corporativa e prevenir possíveis processos a terceiros”, expôs nas redes sociais.

Conforme se extrai da comunicação de Puentes, os impostores usariam o nome da companhia para fazer ofertas de trabalho falsas com as quais acabavam por enganar os interessados. Assim, o grupo construtor indica, no comunicado difundido nas redes, que “não solicita pagamentos, depósitos, transferências nem nenhum tipo de contraprestação económica para participar em processos de seleção“. Também “não exige códigos de verificação, chaves, dados bancários nem informação financeira como parte dos processos de recrutamento”.
Crescimento na América do Sul
Os últimos dados oficiais de Puentes y Calzadas são referentes ao exercício de 2024. A companhia fechou o exercício com a maior facturação da sua história, ao arrecadar uma cifra de negócios de 434,6 milhões de euros, um aumento de 26,6% em relação ao exercício anterior. A companhia acelerou a sua expansão no mercado externo e, especificamente, no sul-americano. Nesse exercício, em concreto, 55% dos seus rendimentos vinham do estrangeiro. «Chile representa 26,4% do volume, seguido de Panamá (19%) e outros países americanos como Equador, El Salvador e Costa Rica, que somam os 9,6% restantes», destacou a companhia.
Especificamente, e segundo seu último relatório de sustentabilidade, Equador foi o seu quarto país por facturação em 2024, com 18 milhões de euros. Muito distante, isso sim, dos 195,7 milhões da Espanha, 114,6 milhões do Chile e 82,2 milhões do Panamá.
Inauguração de uma cadeia de 50 milhões
Mais além dos números, Puentes y Calzadas tem estado presente na imprensa equatoriana nos últimos anos por ter sido adjudicatária de uma das grandes cadeias impulsionadas pelo Executivo de Daniel Noboa. Um facto que, previsivelmente, ampliará a cifra de negócios da companhia no Equador nos números que dará a conhecer relativos ao exercício de 2025. Foi em junho de 2024 quando o Governo lhe encomendou as obras do penal de El Encuentro, na zona costeira de Santa Elena, com um orçamento de 52 milhões de dólares.
A cadeia, localizada em cerca de 37 hectares de terreno, com cinco pavilhões, quatro pátios e seis torres de vigilância, segundo os meios locais, tem uma capacidade para acolher 800 reclusos e começou a funcionar em novembro de 2025.
Os meios equatorianos também indicaram que estava previsto que Puentes y Calzadas realizasse outra mega-cadeia de segurança, a de Archidona, com um orçamento similar, embora os protestos pela sua localização e, posteriormente, a chegada das eleições, tivessem deixado em suspenso o projeto, para o qual na sua altura se anunciou outra localização.