Rueda defende a “oportunidade histórica” para Ferrol com a SAIC e vê como “chocante” que a Defesa questione o projeto
É um pouco surpreendente que neste momento o maior risco para a segurança nacional venha de uma fábrica de carros que quer instalar-se em Ferrol
O presidente da Xunta, Alfonso Rueda, antes do Consello. – DAVID CABEZÓN @ XUNTA
Alfonso Rueda move ficha após o xeque de Defesa e do Centro Nacional de Inteligência (CNI) ao projeto da SAIC Motor em Ferrol. O presidente da Xunta assegurou esta segunda-feira que vê “difícil de entender” e “chocante” que Defesa questione a fábrica que o grupo automotivo chinês pretende instalar em Ferrol.
“Não creio que façam nenhum favor ao projeto”, censurou, em referência aos relatórios que alertam do risco de espionagem devido à proximidade entre o local onde se situaria esta fábrica e o arsenal militar de Ferrol e o estaleiro da Navantia, onde se trabalha com sistemas militares norte-americanos.
“É difícil de entender. É um expediente que temos tramitado conjuntamente o Governo e a Xunta há muitos meses, onde conhecemos perfeitamente seu conteúdo e as diferentes circunstâncias que incidem e agora é surpreendente que um departamento do Governo central faça agora estes pronunciamentos quando em nenhum momento se falou de falta de segurança ou risco militar”, criticou Rueda.
‘Piscar de olhos’ à gestão conjunta do projeto
Segundo ressaltou Rueda, a própria Xunta foi a primeira a elogiar a gestão conjunta realizada para que a SAIC decidisse instalar-se em Ferrol. “Em todo caso, não cabe à Xunta avaliar supostos riscos de segurança nacional, se é que existem. À Xunta cabe exigir ao Governo que seja capaz de compatibilizar a segurança nacional com a oportunidade histórica que se apresenta a Galiza“, sublinhou, acrescentando que a Xunta “fez a sua parte” junto com o Governo para trazer este investimento.
“É um pouco surpreendente que neste momento o maior risco para a segurança nacional venha de uma fábrica de carros que se quer instalar em Ferrol. Parece-me um pouco chocante”, concluiu.
Questionado sobre se estas informações poderiam “manchar” o projeto, Rueda disse que estas notícias “não lhe agradam” e que considera que “não fazem nenhum favor” à iniciativa, insistindo que o Governo tem que ser capaz de compatibilizar a chegada da SAIC com a segurança nacional, uma vez que se conseguiu que a multinacional optasse por Ferrol para instalar sua fábrica, uma zona que “precisa deste tipo de oportunidades”. “Outra coisa seria difícil de entender”, ressaltou.