O BNG e o PSOE galego saem em defesa de Begoña Gómez e denunciam uma “perseguição judicial”
A porta-voz nacional do BNG, Ana Pontón, acusa o juiz Peinado de trabalhar pelos "interesses do PP" e a secretária de organização do PSdeG, Lara Méndez, considera que a decisão para a abertura de julgamento oral contra Begoña Gómez faz "um enorme dano à justiça"
BNG e PSdeG atacam o juiz Peinado após o despacho que ordenava a abertura de julgamento oral contra a esposa do presidente do Governo, Begoña Gómez.
A porta-voz nacional do Bloque, Ana Pontón, qualificou de “bastante inexplicável” a última resolução do juiz Juan Carlos Peinado, que a seu ver “demonstra até que ponto neste caso há uma perseguição judicial por motivos políticos”, um caso que vê como lawfare.
“Quem fica em evidência é um juiz que demonstra que está a trabalhar em função dos interesses do PP“, censura Pontón, para quem “a legislatura faz sentido sempre que o presidente do Governo cumpra com os compromissos com Galiza“, entre os quais se referiu à transferência da AP-9, a implantação do serviço de cercanias ferroviárias e a agenda social.
Pontón recusou-se a oferecer detalhes sobre “o que deve fazer” o Conselho Geral do Poder Judicial (CGPJ) com este caso. “Suponho que qualquer sanção será feita cumprindo a legislação. Em todo caso, não sou eu quem deve dizer ao CGPJ o que deve fazer”, indicou.
O PSOE galego acredita que é um “caso anómalo”
Questionada sobre se vê possível esgotar a legislatura, a secretária de organização do PSdeG, Lara Méndez, defendeu que “o presidente do Governo foi sempre claro e falou sempre em esgotar a legislatura”. “No próximo ano a cidadania voltará a ter a palavra e decidirá que arco parlamentar e que maioria se vai produzir”, afirmou.
Em concreto sobre as últimas decisões do juiz Peinado em relação a Begoña Gómez, respeita “as decisões dos tribunais” mas adverte que isso “não significa ter que calar perante um procedimento” que “nasce de uma denúncia de Manos Limpias“. “Todos sabemos com quem tem vínculos, com a extrema direita e apresentou esta denúncia com recortes de imprensa”, reprovou.
Os passos do juiz, na opinião de Lara Méndez, causam “um enorme dano à justiça” e a sua atitude “faz com que se perca a confiança na justiça”. “Chegou a insinuar que os polícias poderiam colaborar na sua fuga”, recriminou, vendo nisso uma “premissa inadmissível que levou o CGPJ a abrir expediente”.
“Este não é um procedimento normal. Estamos a ver esta sucessão de fatos que perseguem atacar uma pessoa, a Begoña Gómez, pelo facto de ser a mulher do presidente do Governo. Estamos perante um caso anómalo que nasce de uma acusação de um sindicato vinculado à extrema direita e está a ser um processo atípico por todas as causas”, precisou.