A fragata ‘Cristóbal Colón’, com base em Ferrol, parte para o Chipre após o ataque do Irão
A fragata ‘Cristóbal Colón’, que participa na atividade ‘Eagle Eye’
Espanha enviará a fragata Cristóbal Colón, com base em Ferrol, para apoiar a defesa europeia face aos ataques do Irã. Estará integrada no grupo liderado pelo porta-aviões francês Charles de Gaulle e do qual também fazem parte outros navios da Marinha grega.
Segundo informou o Ministério da Defesa nesta quinta-feira, a fragata juntou-se ao Grupo Naval do porta-aviões francês na segunda-feira para realizar trabalhos de escolta, proteção e treino avançado no mar Báltico. Agora, o conjunto dirigir-se-á ao Mediterrâneo para chegar às costas de Creta por volta do dia 10 de março.
A missão da fragata no Mediterrâneo será oferecer proteção e defesa aérea, complementando as capacidades da bateria ‘Patriot’ desdobrada na Turquia e operada por cerca de 150 militares espanhóis. Também estará pronta para prestar apoio a qualquer evacuação de pessoal civil que possa ser afetado pelo conflito.
Além disso, brevemente partirá o navio de abastecimento ‘Cantábria’ para fornecer combustível e prestar apoio logístico durante o trânsito do Grupo Naval pelo golfo de Cádis.
A Defesa explicou que a ‘Cristóbal Colón’ é a “fragata tecnologicamente mais avançada” e destacou que, com a sua implantação, Espanha “mostra o seu compromisso com a defesa da União Europeia e a sua fronteira oriental”.
Auxílio a Chipre
Numa entrevista concedida a ‘Mañaneros 360’ da TVE, a ministra do ramo, Margarita Robles, negou que o envio da fragata signifique que Espanha “entra na guerra” e circunscreveu a missão ao âmbito da defesa. “Quando há um evidente ataque de valores e muitas pessoas estão morrendo, existe o direito à defesa amparado pelo Direito Internacional”, explicou.
Nessa linha, Robles insistiu que Espanha atua em colaboração com os seus parceiros e para auxiliar os interesses de outro aliado e membro da União Europeia, Chipre neste caso. E rejeitou que o envio da embarcação seja “colaborar com os Estados Unidos”, após negar a autorização para o uso das bases de Morón (Sevilha) e Rota (Cádis) no âmbito da ofensiva contra Teerã. “É colaborar com um porta-aviões francês, Trump propôs ataques a partir das bases”, distinguiu.
A ministra quis deixar claro que a posição de Espanha é contrária ao conflito, por carecer de amparo jurídico e por entender que os ataques “não são a forma de resolver conflitos”. Por isso, reiterou que Espanha opta pelas missões de dissuasão e manutenção da paz.
Missão “defensiva”
A ministra Robles já tinha adiantado que Espanha “avaliava” prestar apoio militar a Chipre no contexto dos ataques, depois de um drone iraniano atingir uma base britânica situada na ilha membro da União Europeia na segunda-feira. Numa entrevista concedida a La Ser, ela enfatizou que a missão enviada a Chipre é “defensiva” e não de ataque.
O ministro dos Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, expressou-se em termos semelhantes e destacou que uma coisa é participar no ataque ao Irão e outra é na defesa europeia.
O Governo negou aos Estados Unidos apoio militar através das bases de Morón (Sevilha) e Rota (Cádis) na sua ofensiva contra o Irão, que gerou represálias de Teerã sobre países do Médio Oriente.