Amancio Ortega vende os seus 14% da portuguesa REN após duplicar o seu valor na bolsa em cinco anos
O Estado português acordou a compra de 13,7% das ações da Redes Energéticas Nacionais (REN) que estavam nas mãos da Pontegadea por um valor superior a 320 milhões de euros
Amancio Ortega. Europa Press
Amancio Ortega dá uma reviravolta nos seus investimentos no setor energético. Pontegadea Inversiones SL acordou a venda das 91,7 milhões de ações da Redes Energéticas Nacionais (REN) que possuía.
Por meio de um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a REN anuncia a venda deste pacote acionista equivalente a 13,7% do capital da empresa à sociedade estatal Parpública.
A operação está sujeita à aprovação do Tribunal de Contas de Portugal e, caso seja aprovada, significaria que o Estado português retorna ao acionariado da REN 12 anos após sua saída. A Parpública se tornaria o segundo maior acionista do operador do sistema elétrico português, ficando atrás apenas da estatal chinesa State Grid.
O caminho de Amancio Ortega na REN
Amancio Ortega entrou no acionariado da REN em julho de 2021, adquirindo uma participação de 12% por cerca de 190 milhões, e quatro anos depois (no final de 2025) investiu mais 38 milhões para obter um adicional de 1,7%. Sua entrada na empresa portuguesa ocorreu num momento em que suas ações cotizavam em torno de 1,75 euros, nível que contrasta com os 3,54 euros com que encerraram a sessão de sexta-feira.
Embora o preço de compra não tenha sido revelado, a participação detida pela Pontegadea tem um valor aproximado de 324 milhões de euros, de modo que a operação gerará plusvalias milionárias para o braço investidor de Amancio Ortega.
Com este movimento, Portugal retorna como investidor da REN, ainda com a lembrança do apagão de abril de 2025. A REN gere as redes portuguesas de transporte de eletricidade e gás natural e desempenha um papel central na segurança do fornecimento energético do país, algo que foi afetado pelo zero registrado no sistema elétrico espanhol numa circunstância que acabou impactando o país vizinho.
Após a venda do seu pacote acionista na REN, Amancio Ortega concentra seus investimentos no setor energético em torno de dois nomes próprios: o operador gasista Enagás e sua homóloga no sistema elétrico, Redeia. A Pontegadea controla 5% de ambas e, no caso da Enagás, iguala o número de ações detidas pela SEPI. Na matriz da Red Eléctrica, por sua vez, seus 5% são quatro vezes inferiores aos 20% da participação estatal.