As perdas travam a Shein, que aspira a valer na bolsa um sétimo do que a Inditex

Os consultores da empresa chinesa de moda 'low cost' intensificam as suas conversas com potenciais investidores para a sua saída à bolsa e apontam para uma valorização inferior a 26.000 milhões de euros

Placa da Shein durante a sua inauguração, no ABC Serrano, a 26 de abril de 2024, em Madrid (Espanha) Alejandro Martínez Vélez / Europa Press

Um balde de água fria para Shein. Os assessores da multinacional chinesa intensificam as conversas com potenciais investidores em vista de uma esperada oferta pública inicial que vem sendo preparada há pouco mais de quatro anos.

Segundo o jornal Financial Times, a empresa aponta para uma avaliação inferior a 30.000 milhões de dólares (cerca de 25.955 milhões de euros), o que implica uma queda de aproximadamente 70% desde seu máximo de mais de 100.000 milhões de dólares (86.513 milhões de euros) em 2022. Esses números também ficam abaixo dos 184.194 milhões de euros que correspondem à capitalização de mercado da Inditex, o que representa sete vezes mais.

De acordo com o jornal especializado, os investidores teriam demonstrado interesse em adquirir ações da companhia com uma avaliação entre 25.000 e 30.000 milhões de dólares.

No mês passado, os reguladores chineses aprovaram o pedido do gigante da moda para listar-se em Hong Kong, dando luz verde a uma operação que vem sendo preparada há mais de quatro anos, depois que as tentativas anteriores da Shein de abrir capital em Nova York e Londres foram frustradas pela oposição dos políticos e pelo escrutínio de sua cadeia de suprimentos na China.

A popularidade da Shein disparou durante a pandemia, quando os consumidores confinados em suas casas foram atraídos por seus preços baixos e seu enorme investimento publicitário, mas desde então a avaliação da empresa tem sido prejudicada pela imposição de tarifas americanas, assim como pela eliminação das isenções fiscais que permitiam à empresa evitar o pagamento de taxas de importação ao enviar pedidos para os Estados Unidos ou para a União Europeia.

Shein entra em prejuízo

Nesse sentido, a Shein viu sua demonstração de resultados ficar no vermelho após registrar prejuízos de 99 milhões de dólares (86 milhões de euros) nos três primeiros meses de 2026, resultado negativo que contrasta com o lucro líquido de 395 milhões de dólares (342 milhões de euros), conforme revelou a empresa no rascunho do prospecto registrado para sua próxima estreia na Bolsa de Hong Kong.

Na documentação registrada, onde Shein não especifica a data nem o alcance de seu futuro salto ao mercado, a companhia com sede em Singapura atribuiu principalmente esses prejuízos à deterioração do valor justo das ações preferenciais conversíveis e resgatáveis.

Por outro lado, a empresa contabilizou uma cifra de negócios de 9.052 milhões de dólares (7.831 milhões de euros) no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 1,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, mantendo estável a comercialização de produtos, com 7.757 milhões de dólares (6.710 milhões de euros), enquanto os serviços contribuíram com 1.295 milhões de dólares (1.120 milhões de euros), um aumento de 9%.

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