Norvento dispara 49% os lucros em pleno bloqueio eólico e fecha suas filiais no Brasil e na Polônia

O grupo galego de renováveis eleva ligeiramente as receitas graças às vendas de energia, que disparam a sua rentabilidade, mas o resto das áreas de negócio geraram prejuízos

O grupo galego de renováveis Norvento terminou o último exercício com um aumento do volume de negócios e dos lucros que se apoiou fundamentalmente no negócio tradicional de geração de energia, apesar de a empresa estar cada vez mais focada no design e fabrico de novas soluções de produção e distribuição, apostando em novos produtos de alto valor acrescentado. Isso não é novidade para a empresa lucense, que tem tido na sua trajetória um forte componente inovador, mas, por agora, não dá dinheiro. Sim o fazem, em contrapartida, os mais de 250 megawatts de eólica e hidroelétrica em operação.

O grupo dirigido por Pablo Fernández Castro faturou no ano passado 71,5 milhões, com um ligeiro avanço face aos 69,6 milhões de 2024. Mas, sobretudo, ganhou mais dinheiro. O resultado de exploração foi de 22,2 milhões, contra os 14,7 milhões do ano anterior, e os lucros dispararam 49%, situando-se nos 14,1 milhões, segundo as contas consolidadas da Norvento Enerxía consultadas por este meio através da einforma.

A ampliação da rentabilidade explica-se porque o aumento das receitas coincidiu com uma importante queda das despesas, que só cresceram na área de pessoal. Tanto os aprovisionamentos como as outras despesas de exploração proporcionaram uma poupança de quatro milhões em comparação com 2024. Olhando para os números por áreas de negócio, foi a energia que gerou todos os ganhos, com um resultado antes de impostos de 34,6 milhões. As outras divisões, a tecnológica e a de serviços, terminaram no vermelho.

A Norvento está a investir no desenvolvimento dos conversores da família nXL que operam entre 6,2MW e 8,8MW e que, assegura, é a gama de conversores multi-MW mais potente e compacta do mercado; também no primeiro protótipo de aerogeradores da série 1000, depois de instalar no ano passado o primeiro nED750, que pode substituir turbinas eólicas entre 600-750 kW com menor impacto ambiental. Este esforço traduz-se também nos números, com rubricas com fortes perdas como na divisão de tecnologia, que teve um resultado negativo de 6 milhões, ou na de outros negócios, com um défice de 10,1 milhões.

Fortaleza do balanço

A empresa lucense tem um balanço muito sólido em comparação com o volume de faturação. Os ativos somam 381,4 milhões e o património líquido supera os 228 milhões, com 218 milhões em fundos próprios. A posição de liquidez é de 101 milhões, acima dos 89 milhões do exercício anterior. A dívida do grupo, um dos fatores chave para medir a saúde das empresas de renováveis, situa-se nos 127 milhões, 10 milhões menos que no final de 2024.

A Norvento, que em 2019 deu um salto importante na sua atividade com a entrada em operação de seis parques eólicos na província de Lugo, tem em desenvolvimento cerca de 1.000 megawatts, segundo indica no seu Estado de Informação Não Financeira. Faz isso num momento de bloqueio no setor eólico galego devido às paralisações cautelares aplicadas pelo Tribunal Superior de Xustiza de Galiza, que provocaram a suspensão de alguns dos seus projetos.

A Norvento opera também na área de autoconsumo, no desenvolvimento de soluções tecnológicas, nos serviços de engenharia ou na monitorização e controlo de instalações. No ano passado, a área de energia aportou 66,4 milhões, enquanto os serviços apenas 5 milhões, face aos 13 milhões do ano anterior.

Dissolução de filiais

Embora seja um grupo com atividade internacional, a maior parte das receitas no ano passado provieram do mercado espanhol, que aportou 69 dos 71,5 milhões de negócio. Além disso, ao longo de 2025 a empresa procedeu à dissolução de duas das quatro filiais que tinha no exterior: a do Brasil, denominada Norvento Brasil Energias Renováveis; e a da Polónia, chamada Norvento Polska. O encerramento destas sociedades deixou perdas de 1,2 milhões. Após este movimento, a empresa mantém duas filiais internacionais, ambas com sede no Reino Unido.

No seu relatório de gestão, a Norvento alude ao seu plano estratégico para indicar que um dos seus principais objetivos no desenvolvimento do negócio é a inovação tecnológica em energias renováveis e descarbonização do setor industrial, “contando para isso com uma área específica de I+D+i na Norvento TECHnPower onde está localizado um equipa humana de altíssimo nível centrada no desenvolvimento de produtos inovadores para a geração e o armazenamento de energia”.

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