Nova Pescanova faz renascer suas ‘fábricas’ de camarões, que multiplicam por 10 os lucros
O negócio de cultivar camarão vannamei nas plantas aquícolas do Equador, Nicarágua e Peru passou de registrar mais de 90 milhões em perdas em 2023 a superar os 18 milhões de benefício dois anos depois
Fotomontagem com o presidente e conselheiro delegado da Nueva Pescanova, Jacinto Benavent e Jorge Escudero, e as instalações do grupo em Chapela como fundo
Nova Pescanova endireita o rumo. A pesqueira galega, que encadeou perdas durante praticamente os últimos seis anos, conseguiu fechar o seu último exercício com 1,1 milhões de lucro e situar-se, de novo, acima dos 1.000 milhões de faturação. O balanço parece deixar atrás os piores momentos do último ciclo, incluindo a venda cancelada à canadense Cooke e o golpe da inflação e da crise do camarão, que lhe fizeram perder 131 milhões em 2023. Para chegar a este ponto, a companhia implementou um plano de recuperação, fez profundas mudanças em sua cúpula após a chegada de Jorge Escudero como primeiro executivo; e contou com o músculo financeiro do Abanca, que injetou mais de 70 milhões na multinacional através de uma ampliação de capital.
A companhia dá por certo a mudança de etapa, abrindo “um novo período de desenvolvimento e investimento que se consolidará com a otimização da estrutura financeira, na qual se está trabalhando atualmente”, o que parece indicar uma nova refinanciamento, embora o banco presidido por Juan Carlos Escotet e que é dono da Nova Pescanova detenha a maior parte do passivo. O EBITDA do grupo foi de 71,2 milhões de euros, um 56,5% superior ao de 2024, um exercício no qual contabilizaram apenas nove meses devido à mudança de calendário fiscal que aplicou a pesqueira. As vendas situaram-se em 1.053 milhões, o que representa 7% mais que nos 12 meses de 2024 e uma cifra comparável à de Profand, que em 2024 alcançou 1.009 milhões de faturação.
O ressurgir do camarão
Neste ressurgir da Nova Pescanova teve um papel necessário a recuperação do camarão e das plantas de aquicultura que converteram a companhia galega numa das maiores produtoras globais de vannamei, superando as 60.000 toneladas anuais do crustáceo. A pesqueira conta com plantas na Nicarágua (Camanica), Guatemala (Novaguatemala) e Equador (Promarisco). Pois bem, esta unidade de negócio passou de ser um drama a um motor de lucros do grupo.
No fatídico exercício de 2023 (fechado em março de 2024), o negócio de aquicultura do camarão vannamei gerou 93 milhões em perdas antes de impostos, quando estava afetado tanto pelos baixos preços no mercado como pelos problemas de produtividade derivados de eventos climáticos. A atividade melhorou a partir de então. Segundo o Estado de Informação Não Financeira tornado público pela Nova Pescanova, as plantas geraram lucros antes de impostos de 1,8 milhões entre março e dezembro de 2024. No ano seguinte, no exercício de 2025, multiplicaram por dez os lucros, que alcançaram os 18,2 milhões.

O mesmo documento indica que Nova Pescanova contava ao término do curso com mais de 9.000 empregados, dos quais 4.760, mais da metade, estavam na América do Sul e na América Central, diante dos 2.800 da África e dos 1.400 da Europa e dos Estados Unidos.

A eficiência da Nova Pescanova
O grupo tem suas próprias razões para explicar o retorno à rentabilidade. Aponta principalmente ao aumento das vendas e “às medidas de eficiência implementadas nos últimos dois anos para conter gastos”. Nesse sentido, indica que deu uma volta à estratégia comercial para se concentrar em operações de maior valor, que otimizou os processos e que realizou uma transformação organizativa. Quanto à aquicultura indica apenas que houve um “aumento da produtividade”. E até aí, pois a companhia diz que não quer compartir com os meios de comunicação mais detalhes dos que expõe em seu comunicado de imprensa.
No referido documento indica que conseguiu um “incremento significativo das margens” e que cumpriu e superou os objetivos do plano de recuperação.