O petróleo impulsiona a Inditex, que ganha 5.000 milhões em bolsa antes de apresentar resultados
A multinacional de Amancio Ortega sobe 3,27% no Ibex graças à queda do preço do petróleo, mas ainda perde quase 7% no que vai de 2026
Óscar García Maceiras, CEO da Inditex, e Marta Ortega, presidenta não executiva, à entrada da assembleia geral de acionistas do grupo, em Arteixo. EFE/Cabalar
“Creio que a guerra está praticamente terminada”. As palavras de Donald Trump à rede de televisão CBS aplacaram uma crise da qual o próprio presidente americano é responsável, ao decidir atacar o Irã junto com Israel. Os preços do petróleo, que subiram de forma vertiginosa em 30%, seguiram o caminho inverso ante a perspectiva de uma rápida resolução da guerra. “Vai terminar muito rápido”, insistiu Trump.
O petróleo havia marcado a queda das bolsas europeias, pelo que a queda de preço provocou o efeito contrário. E a queda foi forte. O barril de Brent baixou dos 120 dólares para abaixo dos 90 dólares. O Ibex aproveitou para rebotar 3,05%, até os 17.445 pontos. Assim como o selecionado espanhol, os mercados europeus rebateram: Londres subiu 1,52%; Paris, 1,84%; Frankfurt, 2,30%; e Milão, 2,76%.
Neste cenário melhor também rebotou Inditex, que ganhou 5.000 milhões no mercado na jornada. A multinacional de Amancio Ortega subiu 3,27% na véspera da apresentação de resultados desta quarta-feira, quando os analistas esperam resultados recordes. O consenso de mercado estima que o gigante têxtil apresentará um volume de negócios próximo a 39.900 milhões de euros, com um avanço de 3%, enquanto o lucro líquido superará os 6.150 milhões, quase 5% mais.
Há otimismo nos analistas, embora por enquanto, isso não se traduziu em uma evolução positiva para a empresa que preside Marta Ortega no mercado ao longo do ano. Desde o início de 2026, Inditex depreciou-se quase 7%, nada demasiadamente grave se levar em conta que vem de alcançar seus máximos históricos de capitalização, acima dos 170.000 milhões.
Não está o grupo galego, apesar de tudo, entre os valores que mais subiram na jornada, que foram ArcelorMittal (+7,41%), Banco Santander (+5,73%), IAG (+5,13%), Acciona Energía (+4,98%), BBVA (+4,78%) e Solaria (+4,75%). Do lado contrário, só três valores terminaram com quedas: Grifols (-1,94%), Repsol (-1,05%) e Amadeus (-0,45%).
O plano de Repsol
Repsol atualizou suas métricas operacionais e financeiras para o período 2026-2028, com um plano “seletivo” de investimentos de entre 8.500 e 10.000 milhões de euros até 2028, focado em projetos já aprovados pela companhia. A energética prevê distribuir 3.600 milhões de euros em dividendos em dinheiro nos próximos três anos.
O plano não serviu para evitar a desvalorização do valor. Ao fechamento da jornada, a companhia caiu 1,05%, em linha com outros declínios sofridos por empresas do setor a nível mundial, como Exxon Mobil (-0,47%), Eni (-0,31%), Chevron (-0,35%), Shell (-0,69%) ou Galp (-1%) devido ao encarecimento dos hidrocarbonetos.