Copasa dispara sua carteira de projetos em 150%, até 4.500 milhões, apesar de reduzir ganhos em 2025
A construtora galega fechou o último exercício com um lucro líquido de 23 milhões, uma queda de 33%, influenciada pelos extraordinários registados em 2024 devido ao resgate pela Xunta da autoestrada de portagem em sombra Ourense-Celanova, passando de 1.500 para quase 2.100 empregados e com um volume de negócios de 433 milhões
José Luis Suárez, presidente da Copasa
Copasa, o grupo de construção galego presidido por José Luis Suárez, fechou o exercício 2025 com uma verdadeira mudança de escala. A companhia disparou sua carteira de projetos de 1.750 para 4.503 milhões de euros, preparando seu futuro, devido em grande parte ao impulso do mercado internacional.
Segundo suas últimas contas consolidadas consultadas por Economía Digital Galiza, no último exercício, a companhia galega aumentou seu volume de negócios em 1% até 433,2 milhões de euros. O lucro líquido da companhia reduziu-se em 33%, de 34,2 milhões anotados em 2024 para 22,9 milhões. No entanto, deve-se considerar que o grande aumento de seus ganhos há dois anos estava condicionado pela decisão da Xunta de resgatar a concessão das autoestradas de pedágio sombra de sua titularidade, já que a Copasa recebeu antes do final do exercício o pagamento pela AG-31, entre Ourense e Celanova. Naquele ano, além disso, também registrou receitas derivadas da venda da maior concessão rodoviária do Uruguai, o Projeto Circuito Rodoviário Três, uma via de 292 quilômetros que gerenciava junto com Espina Obras Hidráulicas e que venderam em 2023 a um consórcio formado por Bestinver Infra e Abrdn’s Andean Social Infrastructure Funds.
Assim se entende que o resultado operacional da companhia, próprio de sua atividade, reduziu-se de 87,8 para 34,5 milhões em 2025.
Ebitda de 45 milhões e aumento de pessoal
No relatório de gestão que acompanha seu balanço, os administradores da companhia destacam a evolução do negócio, e ressaltam que no ano passado atingiram um ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 44,4 milhões, com uma margem que se situou em 10,26% acima do volume de negócios.
Dentro de um ciclo expansivo, em 2025 o quadro de pessoal do grupo aumentou de 1.477 para 2.080 pessoas. Em um ano em que seu crescimento também ampliou os gastos com pessoal de 51 para 57 milhões de euros e no qual reduziu sua dívida de longo e curto prazo, os administradores da companhia destacam o espetacular aumento de sua carteira de contratos.
Mais obras no exterior
“A estratégia de contratação da Copasa caracteriza-se por um enfoque conservador, que implica um estudo exaustivo de cada projeto, a evolução dos países onde opera e a seleção cuidadosa de seus parceiros. A companhia foca em projetos de alta especialização e rentabilidade, onde pode maximizar sua excelente capacidade técnica”, expõe. “Em consonância com essa estratégia, a Copasa favorece o modelo de concessões, que proporciona fluxos de receita previsíveis e recorrentes, assim como um ambiente regulatório estável”, aponta.
No final de 2025, a Copasa contava com uma carteira de projetos “de aproximadamente 4.503 milhões de euros, sendo em 2024 de 1.758 milhões”.
Em 31 de dezembro do ano passado, a carteira de contratação nacional ascendia a 948 milhões, o que equivale a 21% do total da carteira de obras, enquanto a carteira de contratação internacional disparou de 780 para 3.554 milhões de euros, 79% do total.
Receitas
Das receitas anotadas em 2025 de 433,2 milhões, a construção ligada a obras civis ascendeu a mais de 192 milhões, o que representa 44% do volume de negócios, frente a quase 100 milhões relativos a trabalhos de edificação, 23%. As receitas por conservação de estradas foram de 26,4 milhões, 6% do total, enquanto as derivadas de acordos de concessão elevaram-se a 24,7 milhões. Os trabalhos de prestação de serviços representam 11% do total faturado, chegando a quase 50 milhões.