Sandra Ortega aproxima-se aos 1.500 milhões com o seu negócio no setor imobiliário e aumenta em 50% os seus rendimentos como proprietária

Ferrado Imóveis, a sociedade com a qual Sandra Ortega canaliza seus investimentos no setor imobiliário, arrecadou 21 milhões em receitas por arrendamentos (principalmente de escritórios) em 2025, mas entrou em números vermelhos devido às perdas com seu negócio nos Estados Unidos

Sandra Ortega eleva sua aposta pelo setor imobiliário. Ferrado Imóveis, a sociedade através da qual a segunda maior fortuna espanhola articula seus investimentos no setor do tijolo, fechou o exercício de 2025 com um aumento de 25,3% em seu volume de negócios, que subiu de 21,2 milhões de euros registrados em 2024 para 26,59 milhões.

A empresa aproveitou seus contratos de aluguel, que passaram a gerar receitas no valor de 14,4 milhões de euros para 21 milhões em apenas um ano, depois que a sociedade deu um novo impulso à sua carteira imobiliária. E é que seus investimentos diretos no tijolo aumentaram de 354,2 milhões de euros para 514 milhões.

A maior parte desse montante (465,5 milhões) corresponde a escritórios como consequência das duas aquisições realizadas na Alemanha, reforçando a aposta de Sandra Ortega nesse segmento. Os hotéis (20,7 milhões), os estabelecimentos comerciais (13,9 milhões) e os armazéns industriais (3,4 milhões) são suas outras principais apostas no setor.

A aposta de Sandra Ortega em Portugal

A esses 514 milhões de investimento direto somam-se outros 992 milhões através de investimentos em empresas do grupo. Entre elas brilha com luz própria a americana Grupo Ferrado US, que reúne 560,9 milhões de euros depois que Ferrado Imóveis aportou outros 36,7 milhões em 2025. Em seguida está o Grupo Ferrado Nacomporta, com 277 milhões. A divisão imobiliária de Sandra Ortega injetou 97,9 milhões de euros nessa filial com a qual promove a abertura do resort Na Praia.

Localizado na península lusa de Troia, sua abertura estava prevista para o mês de junho. No entanto, esse calendário teve que ser refeito devido ao grave incêndio que atingiu suas instalações em março passado, quando ajustava os últimos detalhes antes de abrir as portas.

Ferrado UK, com 210 milhões de euros, completa o pódio dos grandes investimentos da sociedade imobiliária de Sandra Ortega, que também conta com filiais em Portugal, Alemanha e Reino Unido.

Perdas milionárias pelo negócio nos EUA

Assim como seu pai, Sandra Ortega reinveste no tijolo boa parte dos dividendos que obtém a cada ano de sua participada estrela, Inditex, da qual controla 5%. Sua sociedade principal, Rosp Corunna, elevou seu lucro líquido de 300 para 307 milhões de euros em 2025 após receber 291 milhões em dividendos, dos quais a quase totalidade corresponde ao gigante têxtil e uma parte menor, à Pharma Mar, da qual controla 5,15%.

Por meio desses pagamentos, a primogênita de Amancio Ortega construiu um império imobiliário que já alcança 1.489 milhões de euros em ativos (ao final de 2024 eram 1.227,7 milhões). No entanto, apesar desse aumento das rendas por aluguel e dos ativos sob gestão, a principal sociedade imobiliária de Sandra Ortega fechou seu exercício fiscal com números vermelhos milionários. Especificamente, suas perdas líquidas chegaram a 49,4 milhões de euros, cifra que contrasta com o lucro de 5,4 milhões registrado no ano anterior.

A causa desses números vermelhos está na rubrica que gira em torno do “deterioramento e resultado por alienações do imobilizado”, que registrou um valor negativo de 54,8 milhões de euros. “As avaliações dos ativos da filial norte-americana da sociedade tiveram uma evolução positiva em sua moeda local. No entanto, a depreciação do dólar americano frente ao euro teve um impacto negativo nas contas da sociedade, compensando essas revalorizações e dando origem ao registro de deteriorações contábeis no valor de 63,16 milhões de euros (1,82 milhões de euros no exercício anterior)”, aponta a empresa.

Ferrado Imóveis compensou parte desse golpe com os 8,4 milhões de euros anotados em mais-valias “tanto pela evolução das avaliações de mercado dos imóveis na carteira, quanto pelas operações de venda realizadas” e com os 5,5 milhões recebidos por juros de seus empréstimos concedidos.

Mais investimentos em 2026

Apesar de tingir de vermelho sua conta de resultados, Ferrado Imóveis viu seu patrimônio líquido subir de 1.163,7 para 1.341,5 milhões de euros em apenas um ano. A razão está nas aportações de 227,7 milhões de euros que seu sócio único, Rosp Corunna, realizou por meio da compensação de créditos.

Ferrado Imóveis, que investiu 334,1 milhões de euros em 2025, fechou o exercício com um fundo de maneio negativo de 131,6 milhões de euros antes de dar lugar a um 2026 em que acelerou. E é que Sandra Ortega investiu pelo menos 300 milhões de euros no que vai do ano para a aquisição de um novo edifício de escritórios na Alemanha, além de um hotel no Reino Unido.

Como adiantou este meio, Rosp Corunna assumiu o controle do hotel Radisson Blu em março passado. Localizado na Leicester Square (Londres), a segunda maior fortuna espanhola desembolsou pouco mais de 142 milhões de euros para fechar a aquisição desse imóvel.

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Leite Celta gera três de cada quatro euros de lucro da Lactogal, sua dona portuguesa

Leite Celta aportou no ano passado 7,2 dos 9,7 milhões de euros que a sua proprietária, a portuguesa Lactogal, registou de lucro líquido

Javier Bretón, diretor geral da Leite Celta, com uma planta do grupo ao fundo

No passado dia 9 de agosto, completaram-se 20 anos da compra da Leite Celta pelo grupo Lactogal. Naquela altura, o grupo luso chegou a um acordo com a americana Dean Foods e assumiu o controlo da empresa láctea galega em troca de cerca de 50 milhões de euros. Este movimento representou uma mudança no seu acionariado, mas não na sua sede, que permaneceu em Pontedeume, onde concentra algo mais de 220 dos seus quase 400 trabalhadores (os restantes estão localizados nas suas fábricas em Ávila e Cantábria, enquanto a de Meira foi comprada pela Naturleite há quase uma década).

Duas décadas após a sua chegada à Galiza, Lactogal encontra na Leite Celta um dos principais motores da sua conta de resultados. Não por acaso, o grupo português fechou o seu exercício fiscal de 2025 com um crescimento de 2,6% na faturação, que subiu para 1.167 milhões de euros, mas, por outro lado, sofreu uma redução de 72,4% no lucro líquido que se manteve à tona graças, precisamente, a subsidiárias como a Leite Celta.

As receitas da Lactogal recuaram para 9,7 milhões de euros. Deste valor, 7,2 milhões de euros (74,8% do total) correspondem à Leite Celta, que fechou o ano passado com uma queda tanto no seu lucro (reduziu 18% em relação a um 2024 de recorde) como nas suas receitas, que baixaram de 300,5 para 294 milhões de euros.

A crise da manteiga e aposta nos produtores

Lactogal viu a sua conta de resultados descer num exercício em que o excesso de oferta no mercado motivou uma redução dos preços tanto para o consumidor como nos pagamentos aos produtores. Nesse sentido, o presidente do grupo luso, José Marques, afirmou em declarações à imprensa no passado mês de maio que algumas empresas europeias reduziram as remunerações aos produtores em 17 cêntimos por litro.

“Aqui baixámos apenas três cêntimos. Este investimento este ano está a ser feito na produção, porque estamos conscientes de que, se baixássemos a esses níveis, ficaríamos sem produtores ou, pelo menos, sem uma grande parte deles”, destacou o presidente de um grupo em torno do qual giram marcas como Mimosa, Castelões, Agros, Gresso, Matinal, Vigor ou Milhafre dos Açores.

A este fator soma-se uma crise da manteiga que também se fez sentir na Leite Celta. “A Europa deixou de ser competitiva face a outras regiões, como a Nova Zelândia e os Estados Unidos. Ocorreu uma mudança que nunca tínhamos visto: passámos a ser importadores de produtos dos Estados Unidos, sobretudo queijo e manteiga, e o que vimos foi uma queda dos preços”, lamentou Marques. O executivo português chegou a mencionar que o preço da manteiga caiu de sete euros por quilo para cinco euros em duas semanas. “Foi uma brutalidade; isto teve um impacto enorme na indústria láctea europeia”, exclamou.

Lactogal superou a crise da manteiga e sacrificou rentabilidade em 2025 para manter uma base de produtores que chega a 2.000 em toda a Península Ibérica. A empresa portuguesa reúne um total de 12 fábricas entre Espanha e Portugal, onde emprega cerca de 2.500 trabalhadores e produz mais de 1.200 milhões de litros por ano.

Estes números poderão receber um impulso indireto caso a Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) autorize a aliança entre a Leite Celta (que obtém 84% das suas vendas com a sua marca própria) e a cooperativa Clun. Sob a denominação CoRural, ambas as empresas esperam formar um operador com 1.400 produtores de leite, 800 empregados, oito plantas industriais e marcas como Celta, Feiraco, Clesa ou Únicla.

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