A UE seleciona a Navantia para quatro novos projetos de defesa avaliados em 146 milhões
A empresa defende o seu papel como "empresa tratora" em projetos colaborativos de investigação e desenvolvimento (I+D), liderando iniciativas e participando em consórcios que impulsionam novas capacidades e tecnologias para a soberania europeia em defesa
Ricardo Domínguez, presidente da Navantia / Navantia
A Comissão Europeia publicou os projetos selecionados na convocatória 2025 do Fundo Europeu de Defesa (EDF), convocatória na qual foi selecionada a Navantia para participar em quatro novos projetos avaliados em 146 milhões de euros.
A empresa pública destacou em comunicado que se consolida como “empresa tratora” em projetos colaborativos de investigação e desenvolvimento (I+D), liderando iniciativas e participando em consórcios que impulsionam novas capacidades e tecnologias para a soberania europeia em defesa.
Nesta convocatória, a Navantia lidera o projeto E-Dominion e participa em três projetos adicionais – Minerva, Shield e Abyssa -, com um orçamento conjunto de 146 milhões, o que evidencia seu “papel central” no ecossistema de inovação naval europeu.
O projeto E-Dominion
E-Dominion (European Digitalisation Of Maritime Innovation for Naval Integrated Platforms and Combat Cloud Nodes) é um dos projetos mais relevantes do EDF 2025 no âmbito naval. Com duração de 48 meses, este programa estabelece as bases do futuro navio digital europeu, definindo uma arquitetura de referência e o desenvolvimento de uma plataforma digital para a integração de capacidades operacionais navais avançadas, incluindo a nuvem de combate naval, concebida como elemento chave para operações colaborativas e multidomínio.
“Esta iniciativa potencia a cibersegurança, a interoperabilidade, a tomada de decisões apoiada em inteligência artificial (IA) e a soberania europeia na nuvem”, explicou a multinacional, que acrescentou que o E-Dominion capitaliza os resultados de iniciativas anteriores, dando continuidade e ampliando os desenvolvimentos do projeto Edinaf, finalizado com sucesso em 2025, reforçando o posicionamento europeu no âmbito da digitalização naval. Juntamente com esta iniciativa, a Navantia participa em três projetos adicionais que cobrem áreas para as capacidades navais futuras.
Um deles é o Minerva (Modular Integration of Naval Energy Systems for Resilient Vessels Application), focado no desenvolvimento de sistemas de propulsão híbridos e arquiteturas elétricas avançadas para navios navais. O projeto acelera o design de sistemas energéticos modulares e resilientes, combinando modelagem, simulação e ensaios, e contribui para melhorar o desempenho operacional e a sustentabilidade das futuras plataformas navais.
Sistema integrado submarino não tripulado
Por sua vez, o Shield (Subsea Heterogeneous Integrated Ecosystem Link Development) está focado na criação de um sistema integrado submarino não tripulado (Unmanned Underwater Super System, UUSS), que combina veículos autônomos, sensores e microserviços baseados em IA. O projeto busca reforçar a vigilância e segurança das águas europeias frente a ameaças crescentes, mediante arquiteturas submarinas distribuídas, robustas e escaláveis.
Por fim, o Abyssa (Advanced Breakthrough Systems for SubSea Autonomy) é uma ação de investigação disruptiva orientada ao desenvolvimento de sistemas submarinos autônomos e resilientes, capazes de operar a profundidades superiores a 6.000 metros. Dessa forma, aborda desafios em navegação, energia, sensorização, comunicações e persistência, com o objetivo de garantir a vigilância, detecção de ameaças e proteção de infraestruturas submarinas estratégicas em ambientes marítimos hostis.
Continuidade à trajetória da Navantia
Estes novos projetos dão continuidade à trajetória da Navantia em convocatórias EDF anteriores, nas quais a companhia lidera iniciativas em defesa naval como Edinaf, Nereus, SWAT-Shoal, Admirable e Optimas, além de abordar o desenvolvimento da futura corveta europeia (EPC) e participar em projetos em diversas áreas de inovação tecnológica com aplicação em defesa naval como Hydef, Euroguard, E=MCM, Seacure, E-CUAS, d-THOR, E-Nacsos, Edocc e Q-Sing. “No conjunto, estes esforços refletem uma estratégia coerente e sustentada de investimento em tecnologias estratégicas para a defesa naval europeia”, destacou a empresa.
Para finalizar, a Navantia lembrou que E-Dominion e Nereus, ambos liderados pela área de sistemas da empresa, contam com o apoio da iniciativa Pesco 4E ‘Essential Elements of European Escort’, liderada pela Armada, na qual participam Grécia, Itália, Países Baixos, Portugal e Suécia como estados membros, com a Alemanha como país observador.