Abanca considera estratégico continuar ‘de compras’, mas admite que os bancos na Espanha e em Portugal estão caros
A elevada rentabilidade do setor em Portugal e na Espanha, os mercados estratégicos do grupo, complica a décima primeira operação corporativa do Abanca, uma vez concluída a integração do Eurobic
De esquerda a direita, o CEO do ABANCA, Francisco Botas, o presidente, Juan Carlos Escotet Rodríguez, e o diretor geral financeiro, Alberto de Francisco, durante a apresentação dos resultados do 4T2025
Abanca fechou em 2025 o exercício com maiores lucros do grupo se descontarmos o efeito do fundo de comércio gerado no ano passado pela integração da portuguesa Eurobic, que adicionou quase 300 milhões à conta de resultados. Juan Carlos Escotet disse na apresentação do balanço nesta quarta-feira que estavam “muito satisfeitos” com a evolução da entidade herdeira das antigas caixas galegas, que com uma menor rentabilidade ROTE, que passou de 16,5% em 2024 para 15,1%, conseguiu aumentar em 5,8% o lucro recorrente e somou durante o exercício 160.000 novos clientes, o que supõe alcançar os 2,8 milhões no mercado ibérico.
O presidente de Abanca atribuiu os resultados positivos e o aumento do volume de negócios, que alcançou os 136.000 milhões com a soma de créditos (52.662 milhões) e depósitos (83.339 milhões), à estratégia de integrações que levou o grupo a realizar dez operações corporativas na sua trajetória, e às medidas de eficiência adotadas, que irão melhorar, assinalou Escotet, uma vez que se afinem as sinergias geradas com as novas aquisições. Portugal representa 16% desse volume de negócios.
Os bancos estão caros
Perante esta evolução, o banco galego quer perseverar nos seus planos. O banqueiro venezuelano descartou uma entrada na bolsa no próximo ano e considerou que as previsões macroeconômicas para Espanha e Portugal, com um crescimento um pouco mais moderado que em 2025 mas com melhores perspectivas que a média europeia, também em emprego e inflação, concedem fundadas esperanças à entidade de continuar no bom caminho. “Somos afortunados de estar nestes mercados”, disse. As medidas de eficiência, as sinergias e a baixa taxa de inadimplência (2,1%) apesar das integrações, contribuem ao otimismo.
Escotet continuou considerando “estratégico” o crescimento inorgânico. Dito de outra maneira, Abanca continua sondando o mercado em busca de oportunidades de compra que continuem a dieta de engorda praticada na última década, na qual engoliu Bankoa, Targobank ou Eurobic. Contudo, a ideia não é fácil de materializar. Tanto Francisco Botas, diretor executivo da entidade, como Escotet asseveraram que estarão sempre atentos a oportunidades, mas é possível que não surjam com tanta facilidade porque a banca está cara.
O presidente de Abanca explicou que as altas rentabilidades do setor na Espanha e em Portugal “tornam mais difícil o surgimento de novas oportunidades”. O primeiro, com um ROTE situado acima dos 15%, e o segundo, o português, acima dos 17%. Segundo explicou Escotet, os bancos portugueses, espanhóis e italianos lideram a rentabilidade na Europa. “Não deixamos de ver nada, seguimos analisando as oportunidades que possam surgir”, matizou, embora reconheça que agora é mais difícil. Acrescentou que o comportamento da banca em Portugal é “admirável”.
Mais quota em todas as áreas
A vida está cara, mas Abanca tem dinheiro. Ao fechar o exercício contava com 2.219 milhões sobre requisitos de capital, um 25,7% mais, precisamente no ano em que o Banco Central Europeu (BCE) autorizou a aplicação de modelos próprios na avaliação interna de riscos (IRB) para praticamente a totalidade da carteira varejista na Espanha. A taxa de capital situou-se em 18,9%, 180 pontos base mais que no fechamento de 2024.
Francisco Botas destacou que esses níveis de solvência, que previsivelmente aumentarão com a aplicação dos modelos próprios, se conseguem enquanto o banco “ganha quota de mercado em todos os negócios”, com crescimentos de 8,8% em contratos de seguros, de 7,5% em serviços bancários, de 10,4% em cobranças e pagamentos e de 18,7% em fora do balanço.