Morre aos 95 anos o economista Carlos Mella, vice-presidente da Xunta com Fernández Albor
Doutor em direito pela Universidade Complutense, Mella Villar entrou no Parlamento da Galiza em 1981 como deputado da UCD e presidiu a Fundação Castelao e a Associação de Escritores em Língua Galega
Carlos Mella – Europa Press – AELG/ SANTOS-DÍEZ
Carlos Mella Villar (A Estrada, 1930), economista e vice-presidente segundo para assuntos económicos da Xunta de Gerardo Fernández Albor, faleceu aos 95 anos de idade. Mella vinculou-se posteriormente ao BNG, onde chegou a ser candidato ao Parlamento Europeu em 1994.
O BNG destacou esta terça-feira que este também escritor e jurista “foi um galego de bem que estudou, amou e defendeu” a Galiza. “O nosso reconhecimento à sua trajetória intelectual e compromisso com a Galiza”, realça o Bloque através de uma mensagem nas redes sociais em que envia o seu carinho a familiares e amigos.
Trajetória de Carlos Mella
Doutor em Direito pela Universidade Complutense, entrou no Parlamento galego em 1981 como deputado da UCD. Posteriormente, foi vice-presidente de Albor na Xunta entre 1983 e 1984, até à sua demissão. Foi conhecida a sua denúncia como uma ofensa à autonomia galega que o rei Juan Carlos I designasse o delegado do Governo, Domingo García Sabell, como delegado régio na oferenda ao Apóstolo em 1983 em vez de Albor, uma polémica que terminou com o próprio monarca a acudir a Compostela.
Após isso, Mella foi deputado com a Coalición Galega e fez parte de uma cisão que deu origem ao Partido Nacionalista Galego, que acabou por abandonar com Luis Cordeiro no Grupo Misto da Câmara galega.
Assim, vinculou-se ao Bloque e apresentou-se às eleições europeias de 1994 sem conseguir assento. Um dos últimos atos públicos em que foi visto ocorreu por ocasião da campanha da porta-voz nacional do BNG, Ana Pontón, como candidata às eleições galegas de 2024, quando compareceu ao ato em Santiago no qual o histórico nacionalista Xosé Manuel Beiras e o líder da Anova, Martiño Noriega, mostravam o seu apoio à candidata nacionalista.
Presidiu a Fundação Castelao e a Associação de Escritores em Língua Galega, além de ter sido o primeiro gerente do patronato da Fundação Torrente Ballester.
Com uma ampla trajetória no âmbito cultural, foi autor de várias obras ensaísticas como ‘Non somos inocentes’, ‘A Galicia posible’, ‘Coa palleta distraida’ ou ‘A falacia do economicismo’.