Mercadona, condenada pelo TSXG por violar a liberdade sindical da CIG
A cadeia de supermercados está "avaliando internamente" se recorre da sentença e sublinha que "sempre" facilita toda a informação ao Comitê de Segurança e Saúde "para o seu bom funcionamento"
Supermercado Mercadona em Ponteareas
O sindicato CIG divulgou nesta quinta-feira uma sentença do Tribunal Superior de Xustiza de Galiza (TSXG) que condena a Mercadona por violar o direito de liberdade sindical de duas delegadas da organização, e impõe o pagamento de mais de 22.000 euros ao sindicato a título de danos.
Conforme explicou a responsável do CIG-Servizos, Transi Fernández, esta resolução evidencia uma situação que o sindicato tem denunciado há tempo: o “assédio” e “discriminação” que a empresa aplica aos seus delegados e afiliados.
Neste caso, a CIG entrou com uma demanda de tutela de direitos fundamentais pela recusa da Mercadona em fornecer a duas delegadas sindicais desta central as informações tratadas no Comité de Segurança e Saúde Laboral (no qual ambas participam com voz mas sem voto, por não serem delegadas de Prevenção).
Além disso, o sindicato denunciou que Mercadona não forneceu às suas delegadas o regulamento de funcionamento desse Comité e que tampouco lhes forneceu dados relativos à nomeação de delegados sindicais da UGT e CC.OO.
Em sua resolução, o alto tribunal galego expõe que a empresa “não justificou de modo algum esse tratamento diferenciado das delegadas sindicais da demandante” e que “não é suficiente” com que as representantes da CIG possam acessar a informação do Comité de Segurança e Saúde Laboral vendo-a quando é projetada em uma tela.
Igualmente, indica que as duas delegadas têm direito a acessar ao regulamento do Comité e conhecer seu funcionamento, mesmo participando nele sem voto. Finalmente, expõe que “parece razoável” que a CIG pretenda conhecer os outros delegados sindicais na empresa para “poder controlar se está havendo uma diferença de tratamento ou uma maior permissividade, não justificada, com outras organizações sindicais”.
Por tudo isso, o TSXG declara que foi violado o direito fundamental de liberdade sindical da CIG, e declara a nulidade dessas decisões da empresa. Além disso, condena a Mercadona a cessar sua atuação e entregar a documentação às delegadas da central nacionalista, à qual deverá pagar 22.503 euros por danos morais. A resolução não é firme e pode ser recorrida em cassação.
Versão de Mercadona
Por sua parte, fontes da empresa consultadas pela Europa Press, sublinharam que Mercadona facilita “sempre” toda a informação ao Comité de Segurança e Saúde “para seu bom funcionamento”.
“Agora, desde o TSXG se interpreta que, além disso, temos que fazer entrega desta informação e documentação aos delegados sindicais que não são delegados de prevenção”, apontaram, atribuindo a falha a esta “diferença de interpretação legal”. Finalmente, as mesmas fontes trasladaram que a empresa está “avaliando internamente” se recorre da sentença.