RE-VISTE, o plano de recolha de roupa usada da Inditex, Mango e Primark, desembarca na Galiza

O concelho de Arbo acolherá o projeto piloto do Sistema Coletivo de Responsabilidade Alargada do Produto (SCRAP) com o qual será implantado um sistema de recolha seletiva de resíduos têxteis e calçado no meio rural

Juan Meléndez, diretor geral da RE-VISTE, e Horacio Gil, alcalde de Arbo. RE-VISTE

RE-VISTE, o programa piloto para a recolha e gestão de roupa usada impulsionado pela Associação para a Gestão do Resíduo Têxtil e do Calçado – integrada por empresas como Inditex, Decathlon, El Corte Inglés, H&M, Ikea, Kiabi, Mango, Primark, Sprinter/JD, Tendam e o Grupo Mayoral – chega à Galiza. Em concreto, será o concelho pontevedrés de Arbo o primeiro a acolher a iniciativa que já está em funcionamento noutros municípios do país como Fortuna (Murcia), Zaragoza, San Miguel de Abona (Tenerife), Rubí (Catalunha) ou Lozoyuela (Comunidade de Madrid).

O Concello de Arbo e a associação assinaram esta quinta-feira um acordo de colaboração para a implementação do projeto piloto com o qual será implantado um sistema de recolha seletiva de resíduos têxteis e calçado no meio rural.

Segundo explicam desde a associação, o projeto contempla o lançamento de uma licitação pública para selecionar o operador encarregado de gerir o serviço de recolha têxtil e de calçado do concelho. “Este processo permitirá definir as condições de prestação do serviço e garantir a rastreabilidade do resíduo desde a sua recolha até ao seu destino final, reforçando a transparência e estabelecendo um quadro operativo claro e eficiente”.

O programa piloto permitirá avaliar a sua viabilidade num concelho com características próprias do meio rural, como a dispersão geográfica ou a baixa densidade populacional. Também ajudará a incorporar a análise das necessidades logísticas e a otimização do sistema de recolha para assegurar a adequada gestão dos resíduos.

Na assinatura do acordo contou com a participação de Horacio Gil, presidente de Arbo, representantes da Corporação Municipal e de Juan Ramón Meléndez, diretor geral da RE-VISTE.

“Para um município como Arbo, fazer parte deste piloto representa uma oportunidade para melhorar a gestão dos resíduos. Este projeto permite-nos avançar para um modelo mais sustentável, adaptado à nossa realidade territorial”, destacou Horacio Gil.

Por sua vez, Juan Ramón Meléndez sublinhou que “a inclusão de municípios rurais como Arbo nestes projetos piloto é fundamental para desenhar um sistema de recolha de resíduos têxteis que seja realmente eficaz e aplicável em todo o território. Só entendendo as particularidades de cada contexto poderemos avançar para um modelo homogéneo, eficiente e sustentável”.

“Os aprendizados obtidos neste projeto contribuirão para estabelecer as bases de um sistema comum, eficiente e rastreável que permita estender a recolha seletiva do têxtil e do calçado a todos os municípios, garantindo um modelo homogéneo em todo o território, independentemente do seu tamanho ou localização, e assegurando que o maior volume possível de resíduos seja destinado à reutilização ou reciclagem, evitando o seu depósito em aterro”, explicam desde a associação.

Como funciona o programa RE-VISTE?

As pessoas interessadas em participar no projeto terão que depositar a roupa, calçado ou o têxtil do lar (lençóis, cortinas, toalhas, toalhas de mesa…) nos pontos de recolha habilitados. Poderão ser depositados artigos que não estejam em bom estado. No caso do calçado, a associação recomenda que sejam introduzidos unidos pelos atacadores caso sejam depositados aos pares. Não poderão ser introduzidos edredons, mantas, almofadas ou objetos molhados ou com restos orgânicos ou químicos.

Em todo o caso, para os depositar deverão ser usados os contentores RE-VISTE, que estarão identificados com o nome do projeto, numa bolsa fechada e, preferencialmente, reutilizada.

Infografia do funcionamento do programa.
Infografia do funcionamento do programa. Fonte: RE-VISTE

Depois de recolhidos, os artigos são transportados para as plantas de pré-seleção onde se procederá à separação dos artigos que poderão ser reutilizados para o seu posterior envio a lojas de segunda mão e organizações sem fins lucrativos. Para todos aqueles que sejam catalogados como “não reutilizáveis” serão enviados para plantas de classificação onde serão processados para a sua reciclagem, preferencialmente dentro do setor têxtil.

Para decidir se uma peça é apta ou não para reutilização serão aplicados “os critérios objetivos do pessoal especialista nesta matéria”. O desenvolvimento do projeto estará supervisionado por um Comité de Seguimento no qual, além do pessoal da RE-VISTE, estará presente o grupo de Trabalho de Resíduo Têxtil da Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP).

Responsabilidade alargada do produtor

Segundo dados da Federação Espanhola da Recuperação e Reciclagem, anualmente produzem-se a nível mundial cerca de 150.000 milhões de peças de vestuário. 87% das fibras têxteis utilizadas são depositadas em aterro ou incineradas antes de acabar a sua vida útil. No caso da Espanha, geram-se mais de 89.000 toneladas de resíduos têxteis por ano, dos quais apenas se recicla ou reutiliza 11%.

O Parlamento Europeu tem centrado parte dos seus esforços legislativos nos últimos anos em desenvolver normas para gerir as milhares de toneladas de roupa usada que acabam no lixo todos os anos. Uma destas propostas contempla a entrada em cena dos regimes de responsabilidade alargada do produtor (RAP) que obrigam os principais operadores do setor a assumir a responsabilidade financeira e organizativa da gestão da fase de resíduos dentro do ciclo de vida das peças.

Os grandes operadores do setor como Inditex, Decathlon, H&M, Ikea, Kiabi, Mango e Tendam anteciparam-se ao desenvolvimento legislativo, ainda pendente de publicação pelo Ministério da Transição Ecológica, e criaram no início de 2023 a Associação para a Gestão do Resíduo Têxtil com o objetivo de criar este SCRAP. Uma das últimas incorporações ao programa foi a do Carrefour, anunciada no início desta semana.

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