A biorrefinaria que impulsiona a Jealsa “aumenta o valor econômico dos descartes e subprodutos”
Jealsa e Valora fazem balanço do projeto europeu LifeRefish em Boiro, que tem como principal objetivo a criação de uma biorrefinaria para valorizar descartes e subprodutos da pesca e aquicultura.

Jealsa e Valora realizaram um dia de portas abertas em Boiro para apresentar os resultados do projeto europeu LifeRefish, cujo objetivo principal é a criação de uma biorrefinaria piloto para valorizar descartes e subprodutos da pesca e aquicultura. Nesta iniciativa participaram algumas das principais empresas do setor, como Nova Pescanova ou Stolt Sea Farm, além das mencionadas Jealsa e Valora e as entidades Opromar e CSIC.
O professor Miguel Rodríguez foi o responsável por abrir a sessão com uma avaliação socioeconômica e ambiental do projeto: “Este projeto não só tem um impacto ambiental positivo, mas também aumenta o valor econômico dos descartes ou subprodutos”, apontou. Desde a Jealsa, a coordenadora de I+D+I, Paula Souto, destacou a importância do desenvolvimento tecnológico alcançado: “Conseguimos desenvolver novas tecnologias e equipamentos que permitem realizar processos mais complexos e eficientes, unindo conhecimentos e transladando a pesquisa para o mundo tangível”.
O diretor da Valora Marine Ingredients, David Cabanelas, destacou a capacidade de gerar valor e novas oportunidades do projeto LifeRefish. A iniciativa, segundo ele, demonstra como o setor mar-indústria pode se hibridizar com sucesso com outros sistemas produtivos, o que permite aumentar o valor das matérias-primas processadas e “gerar emprego de maior valor agregado em nossas comunidades”.
Inovação Biotecnológica
Após a apresentação dos resultados, foi realizada uma mesa redonda sobre inovação biotecnológica no setor do mar, moderada pela diretora de qualidade da Jealsa, Gemma del Caño. O investigador do CSIC Xosé Antón Vázquez destacou a importância da colaboração entre empresas e equipes públicas de pesquisa, sublinhando a criação de sinergias com aplicação direta na indústria. “Este projeto ajuda a escalar pesquisas que desde a engenharia química estão sendo realizadas, desenvolvendo procedimentos sustentáveis e rentáveis para a indústria. Espero que esta biorrefinaria tenha continuidade e dure muitos anos”, afirmou.
Do âmbito da inteligência artificial, Paula Martínez, diretora de projetos estratégicos na Substrate AI, incentivou as companhias de todos os tamanhos a investirem em tecnologia. “A IA é um acelerador de decisões, que necessita de um conhecimento prévio dos processos. As indústrias já o têm. Exemplos como Jealsa, com 65 anos de história, só precisam aplicar os algoritmos adequados para valorizar todos esses dados acumulados.”
Finalmente, Laura Lorenzo, responsável por projetos de inovação na CEAMSA, alertou sobre os desafios que a excessiva regulamentação no setor biotecnológico apresenta. “Na Europa são necessários no mínimo três anos para poder lançar ao mercado produtos biotecnológicos ou derivados da pesquisa. É um processo demasiado longo”, afirmou.