A inspeção processa a Inditex pelos salários do pessoal da ETT, segundo a CIG
O sindicato assegura que a multinacional leva anos pagando abaixo do acordo provincial ao pessoal contratado por ETT, o que levou à abertura de um expediente sancionador da Inspeção do Trabalho
Protesta de trabalhadoras da Inditex frente a uma loja da Zara / EFE
A CIG assegura que, como resultado de uma denúncia apresentada pelo sindicato, a Inspeção do Trabalho de A Corunha abriu um processo sancionador contra Inditex por pagar ao pessoal contratado por ETT abaixo do determinado pelo convênio provincial do comércio variado. A central sindical diz que esta violação ocorre há anos e resultará na reclamação das contribuições e dos salários não pagos pela multinacional de Amancio Ortega desde o ano de 2022. A intenção do sindicato é que essas reclamações se estendam a todos os centros do grupo na Espanha.
Conforme explica CIG-Serviços num comunicado, a Inditex não pagou ao pessoal da ETT os 200 euros mensais incluídos no convênio provincial após as mobilizações de 2023. Também não foram pagas as comissões nem outros complementos estabelecidos por convênio e acordos com a própria empresa. A situação teria afetado “centenas de trabalhadores” aos quais o gigante têxtil deixou de pagar “milhares de euros”, segundo afirma Roberto Pérez, secretário de Ação Sindical da CIG-Serviços. O sindicalista estima que a diferença anual na remuneração poderia ser entre 6.000 e 7.000 euros em relação ao salário que deveria ter sido pago pela companhia, “já que Inditex está pagando 4,5 euros por hora a menos do que o marcado no convênio coletivo“.
Convênio de ARTE
Pérez critica que a companhia dificultou a denúncia e a investigação, pois negou de forma sistemática aos comitês das diferentes marcas os dados de contratação através de empresas de trabalho temporário. Além disso, aponta para uma relação dessa investigação e a criação da patronal ARTE, impulsionada pela própria Inditex, e que engloba grandes multinacionais da moda, como Uniqlo, Primark, Mango, H&M ou Tendam. “Com a assinatura do convênio de ARTE, a Inditex pretende revestir de legalidade esta prática, pactuando a nível estatal salários inferiores aos que estão reconhecidos no convênio provincial de A Corunha”, alerta o responsável sindical.