Alcampo culpa as lojas da DIA pela sua perda de quota e prevê voltar a crescer em 2026
O diretor geral do grupo de supermercados, o galego Carlos Pedreira, avança a abertura de um novo hipermercado em regime de franquia em A Corunha
Carlos Pedreira, diretor geral da Alcampo / Alcampo
O galego Carlos Pedreira, ex de Inditex e Kiabi, chegou à direção geral do Alcampo em outubro do ano passado, em substituição de Américo Ribeiro e em meio a uma “transformação radical”, para passar de ser um grupo tradicional de hipermercados a um operador “multiformato e omnicanal” graças ao comércio eletrônico e ao desenvolvimento de uma rede de lojas de proximidade. Com essas palavras o executivo explica em uma entrevista para a revista InfoRetail, na qual reconhece que a companhia está perdendo quota na Espanha, como já indicavam os medidores de Algori ou WorldPanel. A seu ver, o elemento chave desse retrocesso foram os problemas derivados da compra de 224 lojas da DIA, que provocaram o fechamento de parte dos estabelecimentos por não se adequarem ao modelo de negócio e por falta de rentabilidade.
“A perda que estamos sofrendo é uma soma de fatores, mas talvez o mais determinante seja o fechamento de algumas lojas compradas da DIA que não eram rentáveis. É uma decisão que adotamos conscientemente, tendo claro qual é o caminho que devemos percorrer para obter um crescimento rentável e sustentável no tempo. E esse caminho passa por crescer no canal físico com franquias e novas lojas, por desenvolver o ecommerce e por fomentar uma cultura de confiança e responsabilidade na qual nossos colaboradores sejam felizes e transmitam esse sentimento aos clientes”, diz Pedreira.
O executivo galego não descarta que ocorram novos fechamentos de estabelecimentos. Dependerá da rentabilidade de cada um. No entanto, assegura que o roteiro não é esse, mas sim desenvolver um plano de crescimento nos próximos anos. “Não posso concretizar o número, mas posso garantir que em 2026 cresceremos. Vamos crescer em faturamento, em número de lojas, em clientes e em franquias. 2026 será um ano de crescimento para o Alcampo, e para conseguir isso faremos investimentos importantes”, afirma. Especificamente, o grupo espanhol da multinacional francesa Auchan prevê destinar 140 milhões para a renovação de lojas e para a abertura de novos estabelecimentos.
Alcampo e a saúde do hipermercado
No final do ano passado, o novo diretor geral do Alcampo adiantou que pretendiam abrir entre 80 e cem lojas por ano dentro do seu plano de crescimento, mas essa aposta de alto calibre requer um processo de preparação e de concluir a digestão das unidades adquiridas da DIA, uma operação de 267 milhões. “Este 2026 significará o reinício da expansão do Alcampo, uma vez integradas completamente as lojas adquiridas da DIA“, manifesta Carlos Pedreira.
Ao contrário da opinião mais difundida, o ex de Inditex acredita que “o hipermercado está mais vivo do que nunca”. Pelo menos os seus, pois diz que “estão aumentando vendas e rentabilidade”. “São o espaço perfeito para desplegar nossa oferta comercial e, sobretudo, são um lugar de vida que faz com que nossos clientes se sintam confortáveis”, expõe. Nesse sentido, aponta que, por exemplo, o bistrô da loja de La Vaguada (Madrid) chega a servir 375 refeições por dia.
De A Coruña a Marbella
Essa confiança no hipermercado se estende ao modelo de franquia. A cadeia abriu em Illescas seu primeiro hipermercado franquiciado na Espanha e agora prevê estender essa fórmula à Galiza, onde terá um estabelecimento desse tipo em A Coruña, segundo os cálculos de Pedreira, em 2027. No ano seguinte contarão com um novo hipermercado em formato de franquia em Andorra.
Além disso, o executivo adianta a abertura de um supermercado em Marbella ainda este ano e aponta alguns focos prioritários para a expansão, principalmente zonas nas quais ainda não combinam a rede de proximidade e o grande formato. Pedreira indicou, por exemplo, que em Valladolid, Salamanca ou Santander não possuem hipermercado e, inversamente, em Granada, têm hipermercado mas não rede de proximidade.