Altri entra em perdas no primeiro trimestre abalada pelas tempestades em Portugal
O grupo regista números vermelhos de 7,7 milhões e reduz em 21% o volume de negócios devido ao impacto das tempestades na produção das fábricas e nos custos
Trabalhadores na fábrica Biotek da Altri
Altri está acumulando desgostos, e não apenas pelas dificuldades em encaminhar o projeto estrela do grupo, a fábrica de pasta solúvel e fibras têxteis de Palas de Rei. Se em terras lucenses sofre com a falta de conexão elétrica devido à rejeição do Governo à iniciativa, em Portugal foi afetada por episódios climáticos, tempestades que impactaram a produção e os custos, levando a empresa a números vermelhos no primeiro trimestre.
A empresa de celulose, em plena transformação do seu negócio para as fibras têxteis, encerrou os três primeiros meses do ano com perdas de 7,7 milhões, em comparação com os lucros de 7,5 milhões no mesmo período do ano anterior. Todas as grandezas apresentaram queda. As receitas recuaram 21%, até 160 milhões; e o ebitda despencou 81%, embora evitando valores negativos, ficando em 5,4 milhões.
“Esta variação se explica por um volume de vendas inferior ao período homólogo e por uma evolução desfavorável do preço líquido da pasta”, aponta o grupo, que alerta para os fenômenos climáticos extraordinários que afetaram a produção. “As tempestades ocorridas em Portugal durante o primeiro trimestre provocaram várias interrupções, que levaram a níveis de produção inferiores e volumes de venda abaixo do planejado“, reforça o grupo.
Da mesma forma, a evolução negativa do dólar frente ao euro e a queda dos preços da pasta solúvel em comparação com o preço do primeiro trimestre de 2025 também não ajudaram os números da empresa em um período de descontos de preço no mercado europeu.
Esperando a recuperação
Altri detecta uma tímida recuperação no que vai do exercício frente à volatilidade e aos preços baixos registrados em 2025. O grupo, dirigido por José Soares de Pina, afirma que há uma melhora na demanda por parte da China em pasta Hardwood, à qual está especialmente exposto, e sinais de recuperação do segmento de pasta solúvel. “A reativação da demanda na Ásia contribuiu para uma recuperação sustentada dos preços do BHKP na Europa com cinco anúncios de aumentos mensais entre janeiro e maio (…) Os preços do DP (pasta solúvel) também experimentaram uma melhora especialmente a partir de março, com a cadeia de valor das fibras têxteis de base celulósica beneficiando-se em relação às fibras sintéticas, dependentes do preço do petróleo.
Este efeito favorável da instabilidade no Oriente Médio tem como contrapartida, esclarece o grupo, os aumentos nos custos de energia e em alguns químicos, assim como o encarecimento da atividade logística. O grupo não menciona o projeto de Palas de Rei, mas indica que avança na transformação da Biotek para focar a produção da fábrica nas fibras têxteis e no projeto de valorização do ácido acético em Caima, ambas iniciativas previstas para iniciar a produção ainda este ano.