Copasa, Florentino Pérez e FCC dividem 110 milhões em contratos para fornecer dormentes a Adif
O grupo ourensano, em UTE com três empresas, participará na renovação da linha de alta velocidade Madrid-Barcelona ao conseguir dois contratos para o fornecimento de aerotravessas para melhorar a infraestrutura viária e permitir uma maior velocidade na circulação
Da esquerda para a direita, os presidentes da Copasa, FCC e ACS, José Luis Suárez, Esther Alcocer Koplowitz e Florentino Pérez
Adif Alta Velocidade licitou o passado fevereiro o primeiro contrato de fornecimento e transporte de aerotravessas destinado a renovar a linha de alta velocidade Madrid-Barcelona. O novo equipamento de altas prestações permitirá aumentar a velocidade de circulação em condições de segurança e melhorar a fiabilidade e a durabilidade da infraestrutura e do material rodante, ao mesmo tempo que se modernizam partes da estrutura já deterioradas com o passar do tempo e o tráfego ferroviário.
O gestor da alta velocidade espanhola iniciou o processo de contratação para 680.400 aerotravessas, com suas correspondentes solas elásticas, o acúmulo na fábrica, o carregamento, o transporte do material fabricado e seu descarregamento na zona de acúmulo estabelecida. Estas primeiras travessas de altas prestações irão destinadas ao trajeto entre Mejorada del Campo-Calatayud e um dos fornecedores será a ourensana Copasa, a segunda maior construtora galega por volume de facturação.
O grupo que preside José Luis Suárez conseguiu, de maneira provisória, com dois dos quatro lotes nos quais se dividiu a licitação. Segundo consta na documentação da mesa da Adif Alta Velocidade, a filial da companhia, Luso Galaica de Travessas, apresentou a melhor oferta para os subtramos Mejorada del Campo-Brihuega e Ariza-Calatayud. O primeiro será adjudicado, uma vez se complete a revisão da documentação, por 38,4 milhões, e o segundo por 22,9 milhões, ou seja, 61,3 milhões no total.
A filial de Copasa forma aliança em ambos os lotes com outras três empresas: Travessas e Prefabricados de Aragão (uma filial de Lantania), Travipos e Travessas do Norte.
ACS e FCC também ganham
Nos outros dois lotes pegaram ACS, o grupo de Florentino Pérez, e FCC, a companhia presidida por Esther Koplowitz e com Carlos Slim como maior acionista. Ambos participaram do concurso formando UTEs e repartirão, junto a seus aliados, mais de 50 milhões.
Para o lado do também presidente do Real Madrid caiu o subtramo Alcolea-Ariza, para o qual apresentou uma oferta de 27,6 milhões através de Drace Geocisa, filial de ACS. Seu aliado no concurso é Prefabricações e Contratas, que pertence a Cementos Molins.
FCC, por sua parte, competiu com a filial Prefabricados Delta, que obteve a melhor posição no subtramo Brihuega-Alcolea com uma oferta de 23,8 milhões. Seu companheiro na UTE é Andaluza de Travessas.
O orçamento de licitação era de 117 milhões, de maneira que, de adjudicarem-se definitivamente às propostas pré-selecionadas, suporá uma redução de algo menos de cinco milhões. O prazo de execução é de 24 meses.
As 370.000 aerotravessas de Copasa
Quando licitou o contrato, Adif explicou que esta atuação de substituição das travessas da LAV Madrid-Barcelona, “junto a outras medidas anunciadas pelo Ministério dos Transportes e Mobilidade Sustentável, possibilitará aumentar a velocidade de circulação, até a velocidade de desenho original da infraestrutura, dos 300 até os 350 km/h, e reduzir os tempos de viagem”.
Deste primeiro contrato de fornecimento, à UTE de Copasa corresponderiam 371.000 aerotravessas, correspondentes aos dois subtramos nos quais apresentou a oferta mais vantajosa. A aliança do grupo de Florentino Pérez e Molins forneceriam 166.250 unidades; e a de FCC e 143.150 aerotravessas.
A travessa ordinária e a extraordinária
Segundo Adif, a aerotravessa melhora a aerodinâmica trem-via graças à redução da superfície plana de sua cara superior, aumentando a distância com a cota de balastro. De fato, em comparação com a travessa ordinária, a travessa aerodinâmica consegue reduzir em 21% a carga aerodinâmica no espaço imediatamente superior ao leito de balastro. O uso da aerotravessa permite aumentar a velocidade do trem até um 12% evitando danos no material rodante e na infraestrutura.
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