Forestalia, o sócio energético de Stellantis no seu projeto estrela de baterias, no olho do furacão
O presidente da promotora de energias renováveis, Fernando Samper, foi detido nesta terça-feira pela Guarda Civil após desmantelar uma suposta trama de corrupção relacionada com os certificados de parques eólicos e fotovoltaicos
Parque eólico da Forestalia. Forestalia
A Guarda Civil desmantelou nesta terça-feira uma suposta trama de corrupção relacionada com os certificados de parques eólicos e fotovoltaicos, procedendo à detenção de seis detidos entre eles um ex-alto cargo do Ministério da Transição Ecológica e Fernando Samper, o dono da empresa Forestalia. A promotora de energias renováveis foi a selecionada para desenvolver os parques eólicos e fotovoltaicos que fornecerão energia à gigafábrica de baterias que Stellantis, o fabricante de carros com planta em Balaídos, levantará nos municípios de Figueruelas e Pedrola (Zaragoza).
No início de julho publicou-se o Projeto de Interesse Geral de Aragão para a construção da planta destinada à fabricação de baterias para veículos elétricos no qual se certificou que Forestalia seria a encarregada de desenvolver os 14 parques eólicos e as 5 plantas solares encarregadas de alimentar a gigafábrica.
Em 2024 a promotora de renováveis assinou um acordo com Contemporary Green Energy (CGE) –a joint venture de Stellantis e a chinesa CATL que está por trás do projeto– para impulsionar em Aragão a maior plataforma de renováveis para o autoconsumo industrial de Espanha que acumularia um total de 1.000 megavatios (MW) e para o qual se estimava um investimento superior a 1.000 milhões de euros.
Em finais de novembro Stellantis e a empresa chinesa CATL colocavam a primeira pedra da planta, cuya produção começará no final deste ano e que requererá no total um investimento acima dos 4.000 milhões, dos quais 300 provirão de fundos europeus.
A nova fábrica ocupará quase 370.000 metros quadrados, fazendo com que o complexo de Stellantis tenha umas dimensões de 890.000 metros quadrados. Estima-se que a pleno rendimento a planta configure um milhão de baterias LFP (lítio-ferrofosfato) por ano a partir de 2028.
Projetos de Forestalia
“Mais de 1.500 MW de energia eólica promovidos por Forestalia já foram construídos e estão em operação. A maior parte dos projetos e instalações eólicas encontram-se em Aragão, em comarcas como Campo de Belchite, Cinco Villas, Campo de Borja, Ribera Baja ou Zaragoza”, explica a companhia em sua página web.
Uma conexão, embora remota, da companhia com Galiza tem relação com Atalaya Generación, a companhia que apresentou em 2021 o projeto Xistral, para levantar em A Mariña lucense uma central hidroeléctrica reversível de 936 megavatios, entre os termos municipais de O Valadouro, Ourol, Alfoz, Cervo e Xove.
O grupo Atalaya Generación foi fundado em 2015 por Miguel Ángel Franc e Pedro Machín. Segundo seus perfis em Linkedin ambos ocuparam cargos em Forestalia. Franc, que passou cinco anos na companhia, foi um dos cofundadores e esteve à frente da Direção de Compras, Vendas e Aprovisionamentos. Por sua parte, Machín, presidente do Clúster de Energia de Aragão, esteve na companhia entre 2012 e 2016, período no qual ocupou os cargos de diretor técnico e responsável pelo desenvolvimento de projetos.
‘Operação Peserte’
A ‘Operação Perserte’, na qual foi detido o presidente de Forestalia, deixou um balanço de doze registros, dez em Madrid e dois em Zaragoza, e seis detidos. A investigação centra-se nos presuntos delitos de prevaricação ambiental, suborno, lavagem de dinheiro e pertença a organização criminosa.
Segundo informou a Guarda Civil, na trama estava implicada uma pessoa que ocupou responsabilidades no Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico, ao que aponta por poder ter influenciado de maneira irregular na emissão de certas resoluções ambientais na província de Teruel em troca de subornos.
Fontes do caso consultadas confirmaram que o ex-alto cargo detido é Eugenio Domínguez, antigo subdiretor geral de Avaliação Ambiental do MITECO.
A causa tem sua origem na possível manipulação de Declarações de Impacto Ambiental (DIA), necessárias para a tramitação de projetos de parques eólicos e fotovoltaicos, e aponta para irregularidades e o possível recebimento de comissões.
Em concreto, o ex-alto cargo em Transição Ecológica está sendo investigado por receber contraprestação econômica em troca de sua mediação na tramitação desses certificados.
Para mover esse dinheiro e ocultar sua origem, explicou a Guarda Civil em uma nota de imprensa, os investigados teriam utilizado várias sociedades interpuestas, contando presumivelmente com a intervenção de um fedatário público na formalização de documentação vinculada às operações sob investigação.
Em relação aos projetos objeto de análise, a investigação examina também se a tramitação ambiental teve em conta de forma adequada os possíveis efeitos sobre o meio ambiente, tais como a afetação à avifauna e quirópteros, o impacto paisagístico ou a alteração de habitats e usos do solo. As atuações continuam abertas e não se descartam novas diligências.
A operação foi levada a cabo pela Unidade Central Operativa de Meio Ambiente (UCOMA), sob a direção do Tribunal de Instância de Teruel número 1, em coordenação com a Fiscalía de Meio Ambiente de Teruel. Outra unidade da Guarda Civil, a Unidade Central Operativa (UCO), já registou dependências de Forestalia por sua presumível relação com o caso da ex-militante do PSOE Leire Díez.