Inditex e Redeia, o dia e a noite em rentabilidade para os investimentos de Amancio Ortega

Inditex apresenta a terceira maior rentabilidade sobre fundos próprios (ROE) de todo o Ibex 35, apenas atrás de IAG e Logista, e triplica a colhida por Redeia

O empresário Amancio Ortega, no concurso hípico de Casas Novas do concelho corunhês de Arteixo. EFE/Cabalar

Amancio Ortega retorna aos postos de cabeça na lista Forbes. O fundador de Inditex acomodou-se na décima posição do Forbes Billionaires Real Time, o ranking no qual a publicação atualiza em tempo real o patrimônio das maiores fortunas do mundo.

O empresário estabelecido em A Corunha aproveitou sua investida em Inditex, que fechou o ano com uma recuperação de 17,5% na bolsa, para aumentar sua riqueza até os 124.460 milhões de euros, de acordo com as estimativas da Forbes. A maior parte desta quantia (cerca de 104.180 milhões de euros) corresponde à sua participação de 59,3% em Inditex, que é sua principal aposta no Ibex 35, mas não é a única.

Amancio Ortega, nos últimos anos, aproveitou para tecer uma rede de investimentos que vai desde o setor imobiliário (com foco em escritórios e centros logísticos) até o capital de empresas como a portuguesa Redes Energéticas Nacionais, Enagás e Redeia. Contudo, trata-se de apostas que não se aproximam dos números de Inditex tanto pelo montante (Amancio Ortega controla 12% da firma portuguesa e 5% nas duas espanholas) quanto pela rentabilidade.

De fato, Inditex atua como o maior peso pesado do Ibex 35 graças a sua capitalização de 175.592 milhões de euros (comparado com os 152.604 milhões de euros do Banco Santander, a segunda maior empresa do índice) e, além disso, está no pódio do selectivo também em termos de rentabilidade.

Os reis da rentabilidade

Segundo as estimativas que o portal Market Screener recolhe, o consenso de mercado calcula que Inditex fechará seu exercício fiscal de 2025-26 com um ROE (rentabilidade sobre recursos próprios) de 32,8%. De acordo com essas previsões, a multinacional com sede em Arteixo alcançará um lucro líquido de 6.158 milhões de euros, um valor que, no entanto, fica abaixo dos 6.400 milhões esperados no caso da Iberdrola, os 10.263 milhões de euros para BBVA e os 13.334 milhões de Banco Santander.

Inditex é superada neste aspecto, mas não em rentabilidade, já que essas três empresas chegam a multiplicar até seis vezes seu patrimônio líquido. É o caso da entidade presidida por Ana Botín, que possui 108.985 milhões de euros de patrimônio líquido, o que supõe mais do que a soma de BBVA (60.887 milhões de euros) e Iberdrola (34.974 milhões). Inditex, por outro lado, detém 18.795 milhões de euros, o que se traduz numa geração de 32,8 euros de lucro líquido para cada 100 de patrimônio líquido.

Iberdrola, com um 18,3%, ocupa a posição número 11 deste ranking que mede a capacidade de uma empresa gerar lucros a partir dos recursos aportados pelos acionistas. BBVA (16,9%) é o décimo quarto valor do Ibex 35 nesta métrica, enquanto Banco Santander fica na décima nona posição.

Apenas duas empresas como a matriz da Iberia (IAG) e Logista conseguem superar a Inditex neste ranking ao apresentar, segundo as estimativas dos analistas, um ROE de 56,5% e 40,5%, respectivamente. O top 10 do Ibex 35 é completado por Aena (26,2%), Amadeus (25,1%), Indra (24,1%), Endesa (22,9%), Rovi (21,5%), Naturgy (21,1%) e Solaria (19,3%).

O papel de Enagás e Redeia

Para encontrar as outras apostas de Amancio Ortega no índice de referência espanhol é preciso descer até a posição número 17. Lá se situa Enagás. O fundador da Inditex comprou 5% do operador gasista em dezembro de 2019, numa operação avaliada em cerca de 281,6 milhões de euros. Esta participação tem agora um valor de mercado de cerca de 175,5 milhões de euros apesar do aumento de 15% que protagonizaram suas ações ao longo de um 2025 em que os analistas preveem que tenha encerrado definitivamente seu déficit.

Enagás perdeu 299,3 milhões de euros em 2024 devido às menos-valias pela venda de sua participação na empresa americana Tallgrass Energy e após sofrer um laudo arbitral desfavorável no Peru. Após este obstáculo, os especialistas calculam que a companhia, que é presidida por Antonio Llardén, fechou 2025 com um lucro líquido de 282 milhões de euros. Caso estas estimativas se confirmem, o ROE de Enagás teria se situado em 12,5%, justamente acima do Banco Sabadell (12,3%).

Enagás se instalaria assim acima da barreira psicológica do dígito duplo neste aspecto, algo que não consegue a outra aposta de Amancio Ortega no Ibex 35. Trata-se de Redeia (matriz de Red Eléctrica). O consenso de mercado estima que a empresa presidida por Beatriz Corredor obteve um lucro líquido de 502 milhões de euros em um 2025 marcado pelo apagão.

Seu ROE estaria, dessa forma, em 9,6%, registros que superam apenas o 9% de Unicaja, os 8,6% de Repsol, os 8% de Telefónica, os 6,8% de ArcelorMittal, os 6,6% de Sacyr, os 5,7% de Grifols, os 5,4% de Colonial e os 3,5% de Acerinox. Cellnex, por sua vez, colhe um resultado negativo de 1,2% ante a previsão dos especialistas de que encerrou seu exercício fiscal de 2025 com perdas no valor de 170 milhões de euros.

Comenta el artículo
Avatar

Histórias como esta, na sua caixa de correio todas as manhãs.

Deixe um comentário

ASSINE A ECONOMIA DIGITAL

Cadastre-se com seu e-mail e receba as melhores informações sobre ECONOMIA DIGITAL totalmente grátis, antes de todo mundo!