Inditex e San José, as cotadas galegas com mais negócio no Oriente Médio, mercado emergente de Pharma Mar e Altia
A construtora conta com uma equipe de 86 trabalhadores nos Emiratos Árabes, além de ter um empresário emiratí como conselheiro externo, enquanto a matriz da Zara constituiu duas sociedades em Dubai em 2024
Marta Ortega (Inditex), Jacinto Rey (San José) e José María Fernández de Sousa (Pharma Mar)
O avance do conflito no Oriente Médio virou de cabeça para baixo a bolsa. Este terça-feira, o Ibex desmoronou pelo segundo dia consecutivo. Cairam 4,55% devido à escalada de tensão. Apesar de, nos últimos dias, ter-se insistido que a exposição das empresas estatais no território não é alta e que a Enagás descartou que a Espanha possa sofrer problemas de fornecimento de gás natural, o medo dos investidores a uma nova crise que dispare os preços energéticos (já está acontecendo) e que retraia o consumo, impacta sobre as cotadas. Da cota galega, Inditex, San José e Pharma Mar registraram fortes quedas, em linha com o resto. E isso que só as duas primeiras são veteranas quanto à presença nas zonas tensionadas, especificamente em Emirados Árabes que, até agora, se posicionava como um mercado emergente para muitas outras empresas galegas.
Inditex foi, até o momento, uma das companhias mais castigadas pelos investidores devido à guerra no Irão. Em dois dias deixou no parqué a friolera de 15.708 milhões, reduzindo sua capitalização de mercado para 161.380 milhões (no que vai do ano chegou a rondar os 180.000 milhões).
Inditex
A multinacional de Marta Ortega não está presente no Irão, mas opera há anos no Oriente Médio, um mercado de caráter premium. Conforme indicado pela Economia Digital Galiza, possui mais de 430 lojas nos países diretamente afetados pelo conflito. Além das 82 lojas em território israelita, a fechar o exercício 2024-2025, o último do qual há dados completos, somava 77 nos Emirados Árabes e 167 na Arábia Saudita, seus principais mercados na zona; 16 no Barém, 36 no Catar, outras 33 no Kuwait, 18 na Jordânia e 8 em Omã. No ano passado, além disso, iniciou sua chegada ao Iraque.
Entretanto —e segundo alguns analistas, como RBC, isso diminui o impacto econômico que poderia sofrer—, a Inditex não opera diretamente nesses países, mas sim sob regime de franquia com associações de longa trajetória. Em Israel faz isso com a Trimera Brands e nos demais territórios com a libanesa Azadea e com a emiratí Cenobi.
Embora por meio de franquia, a companhia foi aumentando sua presença na zona e, especialmente, na Arábia Saudita e Emirados Árabes. De fato, a pegada da Inditex neste último país aumentou em 2024 com a constituição de duas sociedades: a central de compras Emea Aspire Trading Fze e a sociedade Nexfashion International Trading Fze. Da primeira retém 100%. Da segunda, dedicada à comercialização de calçado, 50%. A cotada não conta com mais filiais nos países afetados pela escalada no Oriente Médio.
San José
A construtora pontevedresa San José também conhece bem o mercado emiratí. A fechar o exercício de 2025, segundo sua última memória enviada à CNMV, contava com a sociedade San José Contracting domiciliada em Abu Dhabi.
Nos últimos anos, mediante UTE, os de Jacinto Rey realizaram numerosos projetos de grande envergadura como o Museu Louvre de Abu Dhabi, o hospital de Al Ain, o complexo residencial de luxo Mamsha e um hotel Hilton.
Em dezembro deste ano contava com uma equipe de 86 pessoas em Emirados Árabes onde, no entanto, não registrou faturamento em 2025, segundo os dados comunicados à CNMV.
Pelo contrário, os administradores da companhia mantêm uma provisão de 15,4 milhões de euros devido a “reclamações” de seus fornecedores em Abu Dhabi.