Naviera Elcano desvia da crise do estreito de Ormuz: sua frota navega nos EUA, Argentina e Brasil
A companhia, propriedade do Grupo Nosa Terra 21, conta com uma frota de 21 navios, na qual se incluem sete 'bulkcarriers', quatro metaneiros, quatro quimiqueiros, três graneleiros e três cisternas, que operam principalmente no continente americano, nos países asiáticos banhados pelo Oceano Pacífico e na Europa Ocidental
O ‘Castelo de Villalba’, um dos metaneiros da transportadora Elcano
Naviera Elcano, a firma controlada pela família Silveira e participada pelo Abanca, consegue contornar as tensões no Oriente Médio e a crise provocada pelo fechamento do estreito de Ormuz, localizado entre o norte do Irã e Omã e o sul dos Emirados Árabes, que levou gigantes do setor como MSC, Maersk e CMA CGM a suspender seu tráfego pela área e desviar suas rotas marítimas através do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul.
Nenhum dos 21 navios que constituem a frota da Naviera, propriedade do grupo galego Nosa Terra 21, opera na rota pelo estreito de Ormuz. Segundo dados do sistema de rastreamento marítimo que mede a posição dos navios através do Sistema de Identificação Automática (AIS, por suas siglas em inglês), consultados por Economía Digital Galiza, onze deles se encontravam nesta terça-feira no Brasil, dois na Argentina, dois nos Estados Unidos, dois na Espanha, dois na Malásia, um em Taiwan e outro nas Bahamas.
Sete dos navios da companhia são bulkcarriers dedicados ao transporte de minério de ferro principalmente do Brasil e Canadá para os Estados Unidos. Entre eles estão o Castillo de Malpica ou seu gêmeo Castillo de Navia, ou os navios gêmeos Forte São Marcelo e Forte dos Reis Magos que, segundo consta no relatório anual de 2024 do grupo, “continuaram sua operação atendendo ao contrato de cabotagem de longo prazo para o fornecimento de minério de ferro à planta siderúrgica de Pecém, no estado brasileiro do Ceará”.
A frota conta com quatro metaneiros (LNG Carriers) que incluem os navios Castillo de Santisteban, Castillo de Merida e Castillo de Caldelas destinados às viagens com carga nos Estados Unidos e descarga em portos europeus, junto com algumas cargas pontuais na
Nigéria ou descargas na Ásia. Pertence também a este grupo o Castillo de Villalba que “continuou operando no mercado de curto prazo no Atlântico”.
No segmento de graneleiros estão o Forte de Copacabana e Forte de São Luis, que operam em águas brasileiras, e o Forte de San Marcos, que cobria a mesma rota até setembro de 2024 quando “terminou sua relação contratual com seu fretador, continuando a operar no mercado brasileiro de cabotagem”.
Completam a frota seus três tankers (navios-tanque) – como o Recoleta e o Castillo de Arteaga– que operam na Argentina, norte da África e Espanha, e seus quatro quimiqueiros, focados em rotas na América do Sul.
Atividade da frota da Naviera Elcano
Como explica a companhia no relatório anual, no exercício de 2024, o último disponível, o grupo transportou um volume de 36,6 milhões de toneladas e 5,0 milhões de metros cúbicos de gás liquefeito, um número “em consonância com o que aconteceu a nível mundial, onde o efeito positivo do crescimento do comércio internacional compensou as restrições ao tráfego marítimo no Canal de Suez, derivadas do conflito em Gaza, bem como as consequências da guerra na Ucrânia”.
Quanto ao transporte de petróleo e seus derivados, o volume subiu para 26 milhões, abaixo do ano anterior, embora “as viagens realizadas fossem de maior distância e duração”. O volume de carga seca reduziu 19%, principalmente pela venda dos navios Castillo de Valverde e Castillo de Catoira dedicados ao transporte de ferro, até alcançar os 9 milhões de toneladas.
As contas de Nosa Terra 21
Em 2024 Nosa Terra 21 registrou um prejuízo de 2,1 milhões de euros, cortando 921% o resultado negativo de 26,6 milhões do exercício anterior. A atividade de Elcano representa 94% do faturamento do grupo presidido por María del Rosario Martín Alonso, viúva do empresário José Silveira Cañizares.
Segundo detalham os gestores do grupo no relatório que acompanha as contas, os prejuízos são atribuídos às tensões geopolíticas e comerciais como razões da queda de receitas. “A mudança de presidência nos EUA impulsionou políticas protecionistas, afetando o comércio transatlântico. Além disso, continuam a guerra entre Rússia e Ucrânia
e a instabilidade no Oriente Médio o que continua gerando incerteza e tensão sobre os mercados energéticos podendo alterar os custos em energia”. A isso somam-se a situação no estreito de Ormuz, que “não melhorou durante o último ano aumentando as tensões entre Irã e EUA, que estão sendo monitoradas pela comunidade internacional, liderada pela ONU, consciente de que qualquer interrupção no trânsito pelo estreito poderia ter repercussões significativas nos mercados globais”. “Como resultado das questões descritas houve durante o exercício uma redução da faturação em 13,6%, alcançando os 901 milhões de euros”.
A decisão de Maersk, MSC e CMA CGM
O conflito bélico aberto entre Irã, Estados Unidos e Israel levou a Mediterranean Shipping Company (MSC), Maersk e CMA CGM, três das maiores navieras do mundo, a suspender operações no estreito de Ormuz, uma das artérias do comércio mundial.
MSC indicou nesta segunda-feira em um comunicado a “suspensão de todas as reservas para traslado global de cargamentos pela região do Oriente Médio até novo aviso”.