Jogo de tronos da Inditex e do Santander no Ibex: somam 30% da sua capitalização em plena batalha para liderá-lo
Quinta e sexta empresa mais valiosa da zona euro e as duas únicas espanholas dentro do top 100 mundial, a multinacional de Amancio Ortega apesar de perder o primeiro lugar no Ibex já só tem à frente no setor da moda a LVMH em termos de valor bolsista
Inditex e Santander posicionam-se como primeira e segunda empresa por capitalização no Ibex, seguidas pela Iberdrola. Montagem: Pablo Ares Heres
Inditex perdeu em junho a liderança do Ibex em valor bolsista, um trono do qual não se levantava desde o ano 2022, quando devido à guerra da Ucrânia e ao medo dos investidores pelo impacto da saída do mercado russo recebeu o sorpasso da Iberdrola. Santander, o novo número um, não ocupava esta posição há oito anos. A aposta do mercado por ambos os valores ao calor do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã e o favor dos analistas faz com que a sua competição particular se traduza num aumento notável da capitalização global do Ibex35, que já supera os 1,2 biliões de euros. Deste montante, apenas a cotada de Ana Patricia Botín e a de Marta Ortega somam mais de 360.000 milhões de euros, 30%.
Mais ainda, se se considerar a capitalização de mais de 147.000 milhões de euros que atualmente exibe a Iberdrola e os 128.117 milhões do BBVA, apenas quatro valores concentram praticamente metade do valor bolsista conjunto do Ibex, que alcançou o bilião de euros pela primeira vez na sua história no final do ano passado, o que demonstra a sua valorização apesar das pressões geopolíticas a nível global.
Semana histórica do Ibex
Na passada sexta-feira, o Ibex atingiu um novo recorde histórico, ao terminar a semana acima dos 19.800 pontos depois de se valorizar 2,19% semanalmente, num contexto marcado pelo memorando de entendimento assinado entre Estados Unidos e Irã, um fator que resultou na redução do preço do petróleo para 71 dólares.
Neste cenário, o Banco Santander terminou a semana com uma capitalização bolsista de 182.412 milhões de euros, algo mais de 4.000 milhões acima da Inditex, que apresenta um valor para os investidores de 178.273 milhões. No entanto, a perda do trono do Ibex não parece representar um problema maior para os de Amancio Ortega, além do estético. E é que a empresa volta a encaminhar-se para os seus máximos históricos e já se situa como a empresa de moda mais valiosa do mundo, apenas superada pelo gigante do luxo francês LVMH.
Ascensão nas finanças e na moda
Com o vento a favor no Ibex, na última semana, tanto o Santander como a Inditex escalaram posições entre as empresas com maior capitalização da zona euro. Se há alguns meses se encontravam na sétima e oitava posições, hoje a financeira ocupa o quinto lugar e a matriz da Zara o sexto.
Somente superadas no índice Euro Stoxx 50 pela tecnológica holandesa Asml, LVMH, Siemens e L´Oreal, apesar de a Inditex ter perdido o trono do Ibex em Espanha, a nível europeu conseguiu dar o sorpasso à histórica segunda companhia do luxo após Louis Vuitton, Hermès, a criadora da icónica bolsa Birkin. Embora o seu valor bolsista costumasse estar acima da multinacional de Arteixo e até em abril do ano passado tenha conseguido ultrapassar o grupo da família Arnault, a empresa sofreu especialmente com a crise do luxo e o impacto da guerra no Oriente e, no que vai de 2026, acumula uma queda no valor da sua ação de 22,67%.
Assim, se a Inditex na zona euro se tornou a segunda grande cotada do setor da moda após a LVMH, o Santander, por sua vez, posiciona-se como a primeira entidade financeira por valor em bolsa dentro da UE.
Ranking global
Com uma valorização no que vai de 2026 de mais de 24% no caso do Santander e de 3,24% para a Inditex, ambas as companhias também são as únicas da bolsa espanhola que se situam dentro do top 100 de grupos mundiais com maior capitalização bolsista.
No entanto, a sua posição é distinta dentro dos seus setores particulares. Enquanto que, a nível global, a Inditex é o segundo grupo por capitalização bolsista no segmento da moda atrás da LVMH e acima de Hermès, a americana TJX Companies, de grandes armazéns; Fast Retailing, a matriz da Uniqlo, Dior, Cintas, Ross Stores, Nike e Adidas; o banco Santander posiciona-se no número 14 das grandes financeiras cotadas.
O setor financeiro, com muito maior concorrência, é liderado por JP Morgan, Bank of America, China Construction Bank, Morgan Stanley e HSBC.
Continuará a luta no Ibex?
Com Inditex e Santander em alta, representando um terço da capitalização do Ibex, e com as perspetivas dos analistas, resta saber se o baile pela liderança do índice de referência da bolsa espanhola continuará. Tudo indica que sim.
Com a ação do Santander a negociar-se a 12,42 euros, o banco encontra-se já perto do preço objetivo médio dos analistas. Ainda assim, um dos últimos relatórios sobre o valor, o da UBS, posiciona-o como uma das entidades europeias com maior potencial de retorno para os acionistas.
No caso da Inditex, os analistas ainda veem um grande potencial de melhoria. Com o título a 57,2 euros, até quatro analistas acreditam que poderá superar os 60 euros. Em concreto, os últimos relatórios do passado mês de junho da RBC (63 euros) e da UBS, Morgan Stanley e Kepler, que situam a ação acima dos 62 euros.