O presidente de Navantia prevê uma mudança “estrutural” com o boom dos gastos em defesa
Ricardo Domínguez aposta em aproveitar os programas especiais de modernização do Governo para reforçar a cadeia produtiva e "consolidar esse tecido industrial vinculado à defesa"
Ricardo Domínguez, presidente da Navantia
Os presidentes de Navantia e Oesía fazem um apelo para aproveitar o momento “histórico” que vive o setor da defesa com os programas especiais de modernização (PEM) impulsionados pelo Governo e os planos de rearmamento europeu.
O máximo executivo de Oesia, Luis Furnells, destacou que esses projetos são um “estímulo absolutamente disruptivo” que representa “uma oportunidade histórica” se for bem aproveitada. “O certo e verdade é que precisamos dessa continuidade que os PEM nos dão”, afirmou Furnells esta segunda-feira durante o ‘II Encontro Expansão Indústria de Defesa‘, onde destacou que graças a estes projetos são “capazes de assegurar que nos próximos cinco anos terão essas capacidades”.
Nessa linha, o executivo valorou o “importante esforço” que esses programas significaram, tal como o seu homólogo em Navantia. Ricardo Domínguez apontou que os PEM proporcionam à indústria de defesa “estabilidade, o que lhes permite investir”. “Investir claramente em algo que temos a obrigação e o compromisso de estar na vanguarda para que as nossas Forças Armadas tenham o mais moderno ou até vislumbrando o futuro e para isso precisamos investir muito em investigação e desenvolvimento e precisamos dessa estabilidade orçamentária para poder fazer isso”, assegurou.
O foco nas PME
Nesse sentido, Domínguez sublinhou que esse maior investimento em defesa, que a seu ver é uma mudança “estrutural”, deve alcançar e dinamizar toda a cadeia de suprimentos, que é onde se “alimentam e em que se apoiam”. “Temos uma cadeia de suprimentos que também é formada por pequenas e médias empresas (PME) e que também precisam dessa estabilidade para se consolidarem”, indicou, enfatizando que Espanha é um “país rico em conhecimento e capacidades industriais e deve aproveitar este momento para desenvolvê-las”.
Na opinião do diretor da empresa pública, existem PME que têm um “grande valor tecnológico”, pelo que esta oportunidade industrial atual deve servir para “consolidar esse tecido industrial vinculado à defesa” e que deve focar-se em alcançar a soberania tecnológica.
O executivo de Oesía, por sua parte, defendeu a redução dos tempos de resposta da indústria de defesa de anos para semanas. “Uma defesa em que o tempo de resposta sejam semanas”, insistiu Fornells, que adicionou que não se pode “estar dez anos desenhando algo porque a realidade já mudou”.
Assim, o diretor destacou a necessidade de “soluções operativas no campo de operações que resolvam os problemas que ali ocorrem”. “Temos que falar e estar muito mais perto das nossas unidades operativas e temos que desenhar soluções muito adaptadas às necessidades operativas”, concluiu.