Actualizado
Renfe olha para Portugal para expandir sua alta velocidade após as dificuldades para crescer na França
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, considera que "não há que teimar em coisas que parecem difíceis", pelo que decidiram focar-se mais em Portugal "que está prestes a desenvolver a sua rede de alta velocidade e é um território onde vamos trabalhar muito mais confortavelmente"
O ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, numa entrevista com a Europa Press na Casa Mediterrâneo em Alicante – ROBER SOLSONA/EUROPA PRESS
Renfe muda o foco no seu plano de internacionalização e iniciou o processo para homologar os seus comboios de alta velocidade em Portugal para poder operar no futuro no país. O movimento surge depois de a expansão dos seus serviços em França ter sido dificultada por várias barreiras regulatórias.
Assim o indicou esta terça-feira Óscar Puente, ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável, numa entrevista à Europa Press em que apontou que o operador público está a trabalhar na homologação dos comboios das séries 106 e 107 da Talgo. “São modelos muito adaptáveis ao ambiente português, que em parte é de bitola ibérica como Espanha, e estamos a tentar homologá-los para poder trabalhar aí”.
Plano de expansão da Renfe
O ministro explicou que se trata de uma mudança de enfoque no plano de internacionalização da Renfe, já que o seu objetivo era continuar a expandir-se em França, onde está presente apenas na zona sul. No entanto, as barreiras regulatórias estão a atrasar a sua chegada a cidades-chave como Paris.

“É preciso analisar a realidade e não insistir em coisas que parecem difíceis, pelo que estamos a mudar as nossas ideias, focando-as mais em Portugal, que está prestes a desenvolver a sua rede de alta velocidade e é um território onde vamos trabalhar muito mais confortavelmente e teremos uma entrada mais simples”.
“Maior sintonia” com Portugal
Além disso, a sintonia de Espanha no âmbito do transporte é maior com Portugal do que com França: “Os dois países temos claramente o objetivo de estar ligados através da rede ferroviária, mas, no caso de França, a pressão exercida na Europa para que impulsione as suas ligações com Espanha serviu de muito pouco”.
Puente reiterou o compromisso do Governo de ter prontas ambas as ligações transfronteiriças em 2030, à espera que os outros dois países desenvolvam a infraestrutura dentro das suas fronteiras. De facto, com os comboios 106 e 107, que podem circular por diferentes tipos de vias, será possível iniciar o serviço de forma progressiva.
Atraso da Talgo na entrega dos comboios
Em qualquer caso, a Renfe continua à espera que a Talgo lhe entregue os comboios da série 107 com já dois anos de atraso, depois de o operador lhe ter imposto uma multa de 116 milhões de euros ao fabricante de comboios pelos atrasos da série 106.

No caso dos 107, o ministro evitou falar em novas sanções e esperará recebê-los e analisar as circunstâncias antes de impor qualquer multa em aplicação das cláusulas do contrato.
“Agora estamos focados no processo de avaliação e vamos ver finalmente quando ocorre a entrega para ter em conta todas as circunstâncias”, acrescentou.
Óscar Puente afirmou que os problemas de capacidade industrial que levaram a Talgo a entregar esses comboios com atraso são algo generalizado na indústria europeia, desde empresas como Alstom e Siemens até Stadler.
“Não é aceitável que os tempos médios de produção, disponibilização e certificação de um comboio estejam atualmente em torno de seis anos. Chegará um momento em que, se a indústria não for capaz de fabricar a preços e prazos razoáveis, os chineses entrarão, e a Europa tem que tomar medidas para que não aconteça o que aconteceu na indústria automóvel”, concluiu a esse respeito.