Shein tropeça em sua tentativa de montar um polo de produção no Brasil
A multinacional líder da moda ultra 'low cost' anunciou em 2023 o seu plano para ampliar no Brasil a sua cadeia de fornecimento até os 2.000 fornecedores
Placa de Shein durante a sua inauguração, no ABC Serrano, a 26 de abril de 2024, em Madrid (Espanha). Alejandro Martínez Vélez / Europa Press
Shein esfria os seus planos no Brasil. O gigante líder da moda ultra low cost anunciou em 2023 que contava no país com uma rede de mais de 300 fornecedores, bem como a sua intenção de fazer um investimento de 150 milhões de dólares, cerca de 127 milhões de euros na cotação atual, com o qual aspirava a expandir essa rede até as 2.000 fábricas até 2026, algo que lhe permitiria criar até 100.000 novos empregos.
Conforme avança a agência Reuters, este plano teria estagnado devido às exigências da companhia aos fornecedores locais para reduzir preços e para exigir prazos de entrega mais rápidos do que eles poderiam gerenciar, segundo apontam alguns ex-fabricantes da sua cadeia de fornecimento e líderes sindicais.
Essas fontes defendem que o Brasil conta com “quadros regulatórios” muito distintos dos da China, como por exemplo em matéria laboral, na qual se incluem controles sobre as horas de trabalho. Também identificam como problemas para a multinacional os elevados impostos e as dificuldades do transporte e da logística, visto que muitas das fábricas se encontram em zonas rurais.
A agência aponta que a própria companhia reconheceu que a iniciativa “não saiu conforme o planeado”. “A produção no Brasil necessitou tempo para amadurecer e rapidamente tornaram-se evidentes as diferenças na infraestrutura empresarial e industrial. Por isso, o progresso tem sido mais lento e desafiante”.
A empresa teria indicado que adotará uma abordagem mais “seletiva” para aprofundar as parcerias com “as fábricas mais capacitadas”. Embora não tenha indicado quantos fornecedores locais tem atualmente, o seu marketplace no Brasil “apoia mais de 45.000 empreendedores e vendedores locais, reforçando o país como um dos mercados mais dinâmicos da empresa a nível mundial”.
O peso do Brasil
A Reuters destaca o rápido crescimento da Shein no Brasil, país que em 2025 chegou a se converter no seu segundo mercado depois dos EUA, concentrando cerca de 3.500 milhões de dólares (2.966 milhões de euros), o 7% das suas vendas globais que os analistas da Coresight Research estimam em 48.600 milhões de dólares (41.193 milhões de euros).
Assim como ocorreu em outros mercados, como os EUA ou a Europa, no Brasil também teve que enfrentar restrições às importações. Em 2024, as autoridades brasileiras impuseram um tarifa de 20% às compras online avaliadas em menos de 50 dólares que antes estavam isentas. Segundo apontou então o secretário de desenvolvimento industrial do Brasil, Uallace Moreira, o objetivo da medida era “promover a concorrência leal”.