Terceira vitória de Sandra Ortega no tribunal contra os bancos pela falência da Room Mate
Um tribunal de Madrid determinou que a mulher mais rica da Espanha não terá de pagar os 48 milhões de euros que o Abanca lhe reclamava pelas "comfort letters" que garantiam o financiamento a Kike Sarasola com sua suposta assinatura
Sandra Ortega e Kike Sarasola
Sandra Ortega aponta a terceira vitória consecutiva nos tribunais pelo colapso da Room Mate, cadeia hoteleira da qual foi acionista e que durante anos financiou Rosp Corunna, seu holding, de forma regular e irregular. Agora, um tribunal de Madrid determina que a mulher mais rica da Espanha não terá que pagar os 48 milhões que lhe exigia o Abanca pelas comfort letters que avalizavam o financiamento a Kike Sarasola com sua suposta assinatura.
Primeiro foi o EBN Banco e depois a Banca March. Agora, segundo revela O País, é a vez do Abanca. Em uma sentença do passado 30 de janeiro, o juiz civil Santiago Tudela rejeita a reclamação do banco de Juan Carlos Escotet, que solicitava a devolução de 48 milhões de euros pelas cartas de patrocínio (comfort letters) que levavam a suposta assinatura de Sandra Ortega e foram geridas com os bancos por José Leyte, por anos homem de confiança de sua mãe e número dois de Rosp Corunna.
Nem consentimento tácito
Sobre se a empresária tinha conhecimento dos avais e os consentiu, o juiz afirma na sentença, segundo diz O País, que não está comprovado que Ortega, administradora única de Rosp Corunna, “deu seu consentimento explícito nem tácito à assinatura das cartas, sendo a única que podia fazê-lo pelas limitações de poderes que tinha Leyte”. “Se não as assinou nem deu seu consentimento explícito, não se pode confirmar nem ratificar tacitamente”, explica o juiz na sentença.
Em maio de 2025, um Tribunal de Primeira Instância de Madrid rejeitou uma demanda contra Rosp Corunna da entidade EBN, que pretendia que o family office da filha mais velha de Ortega lhe pagasse 1,5 milhões.
Suplantação de assinatura
Os advogados de Sandra Ortega argumentaram em todo momento, em sua defesa, que a empresária não poderia assumir o pagamento de uma garantia contemplada em um documento que é nulo e que teria sido assinado pelo ex-diretor geral de Rosp Corunna, “suplantando a assinatura”.
Em outubro do ano passado Sandra Ortega ganhava novamente nos tribunais, a Banca March, e evitava 36 milhões em indenizações por Room Mate. O Tribunal de Primeira Instância número 62 de Madrid então rejeitou outra demanda, nesse caso da Banca March, contra Rosp Corunna ao entender que seu ex-gestor, José Leyte, usou a assinatura de Sandra Ortega para emitir as cartas de patrocínio a Room Mate antes de sua falência.