Pontón posiciona-se contra a eólica marinha: “Preferimos os marinheiros de Burela, Cedeira ou A Guarda”

"Galiza não pode ser uma terra de sacrifício", defendeu a porta-voz nacional do BNG, que assegura que só se pode escolher entre "a gente do mar e o lobby elétrico"

A porta-voz nacional do BNG, Ana Pontón, em conferência de imprensa – EUROPA PRESS

A porta-voz nacional do BNG móvese contra a eólica marinha. Ana Pontón, manifestou nesta quinta-feira a sua firme rejeição ao impulso que o Governo central pretende dar ao desdobramento desta tecnologia, qualificando-o de “golpe enorme” para o setor pesqueiro galego

Durante uma aparição no bairro ferrolano de Caranza, Pontón denunciou que as forças estatais pretendem converter a Galiza em uma “terra de sacrifício” para beneficiar as grandes elétricas e fornecer “energia barata” ao resto da Espanha. “Galiza não pode ser uma terra de sacrifício”, afirmou a líder nacionalista, que criticou que os impactos deste modelo energético sofrem-se não só em terra, mas agora também no mar.

Perante a disjuntiva de escolher entre “a gente do mar e o lobby elétrico”, Pontón adiantou que o BNG posicionará “sempre ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras”. Além disso, a líder nacionalista lamentou que tanto o Partido Popular quanto o Partido Socialista coincidam num desenho que prevê ocupar 22.000 quilômetros quadrados de mar. Segundo os dados fornecidos por Pontón, quase a metade de toda a energia eólica marinha projetada no Estado espanhol localizar-se-ia na costa galega, afetando diretamente os caladeros de pesca.

“É uma tremenda irresponsabilidade que o PP se coloque uma vez mais contra a gente do mar”, indicou a líder dos nacionalistas galegos. Para Pontón, ambos partidos “vão de braço dado com as elétricas” num modelo onde a Galiza sofre as consequências negativas enquanto os benefícios “enchem os bolsos” das companhias energéticas.

O consenso de 2009

Neste sentido, a formação nacionalista exigiu recuperar o espírito do acordo unânime alcançado por todas as forças políticas galegas em 2009. Naquele momento, determinou-se que não se davam as condições para o desenvolvimento da eólica marinha na comunidade pelo risco que supunha para um setor estratégico.

“Preferimos os marinheiros de Burela, de Cedeira ou de A Guarda sobre as elétricas”, concluiu Pontón, reiterando que a plataforma continental galega é “muito pequena” e que qualquer avanço neste setor suporia o “golpe de misericórdia” para a atividade pesqueira, que considera “vertebral” para a articulação económica do país.

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