Ferroglobe ativa um ERTE na sua fábrica da Corunha impactada pela concorrência do silício da China
A antiga Ferroatlântica apresenta um expediente temporário de emprego para 113 trabalhadores da planta de Sabón, que será executado entre 1 de agosto e 31 de dezembro do próximo ano
Fábrica da Ferroatlántica (Ferroglobe) em Sabón
Ferroglobe apresentou um Processo de Regulação Temporária de Emprego (ERTE) para todo o seu quadro na fábrica de Sabón, no município corunhês de Arteixo, onde conta com 113 empregados. A medida será aplicada entre o próximo dia 1 de agosto e 31 de dezembro de 2027, segundo comunica o comité, que alerta para o impacto da concorrência chinesa no mercado europeu do silício.
O comité (CIG e UGT) manifestou o seu “rejeitamento frontal” às condições deste ERTE apresentado pela direção a 14 de julho, pelo que espera que haja mudanças, aguardando uma reunião nesta sexta-feira em que se abordem em profundidade as condições.
Passividade europeia
Num comunicado, o comité destaca que a planta da Ferroglobe em Sabón “é um pilar histórico no tecido industrial da Corunha e a única instalação em todo o território nacional dedicada à produção de silício metálico”. Conta com um quadro fixo de mais de 113 profissionais diretamente ligados à sua atividade, assim como outros 200 empregos indiretos “cujo futuro depende agora da tomada de decisões estratégicas urgentes principalmente pelas autoridades”.
O quadro denuncia que este ajuste “é a consequência direta de uma passividade institucional, especialmente a nível europeu, que os está condenando a um cenário de total incerteza”. Denunciam que “as administrações estão permitindo a destruição do setor”, apesar do “valor estratégico” do silício metálico, “indispensável para a transição energética, a indústria tecnológica e a automotiva”.
Reclamam medidas tarifárias
O comité aponta para “a lentidão da Europa em implementar medidas tarifárias e de proteção reais contra a invasão de silício produzido na China a baixo custo”. “Este dumping, executado sob normativas laborais e ambientais que seriam ilegais na União Europeia, está a afundar os preços e a inundar o mercado com o beneplácito de instituições que, paradoxalmente, se orgulham de defender a soberania industrial europeia”, afirma.
O quadro adverte que “não aceitará que a inação política seja usada como desculpa para precarizar as suas condições laborais ou ameaçar a continuidade da planta”. Por isso, exige à Ferroglobe um plano de viabilidade claro e demanda aos Governos autonómico e central que pressionem em Bruxelas para “ativar mecanismos de defesa comercial de forma urgente”. Queixam-se ainda de que a empresa não tenha realizado uma gestão mais eficaz para conseguir preços ou acordos energéticos (PPA).
Mobilizações
“Não podemos ser sempre os trabalhadores a pagar a conta. Exigimos à direção da empresa que procure alternativas reais e à Europa que acorde de uma vez e proteja a sua indústria antes que seja tarde demais”, alertam.
Finalmente, avançam que os trabalhadores preparam um calendário de mobilizações em defesa dos seus empregos e da viabilidade da planta.