A exposição da Inditex à guerra do Irã: mais de 430 lojas em países do Oriente Médio e todas em franquia
A matriz da Zara lidera as quedas no Ibex pelo temor dos investidores diante do conflito, embora os estabelecimentos com os quais opera na zona sejam principalmente da libanesa Azadea, o grupo que ficou com o seu negócio na Rússia
Inditex encerrou a sessão no Ibex na segunda-feira como uma das empresas mais castigadas na bolsa espanhola devido à guerra do Irão e à expansão do conflito para muitos países do Oriente Médio. A multinacional têxtil terminou a jornada com uma queda no preço da ação de 4,79% e uma capitalização de mercado de 168.610 milhões de euros, o que significou uma perda de quase 8.500 milhões na bolsa. O mercado castigou a crescente presença da matriz da Zara na região, além de evidenciar o medo de problemas logísticos e uma retração do consumo caso a situação se prolongue. No entanto, nem todas são más notícias para a multinacional galega. É verdade que possui mais de 430 lojas nos países diretamente afetados, mas também é verdade que opera em regime de franquia.
A eclosão da guerra entre o Irão e Estados Unidos e Israel virou os mercados de cabeça para baixo, mas, no mesmo dia em que Inditex afundava no Ibex, RBC emitiu um relatório no qual mantém sua aposta firme no valor, atribui um preço-alvo à ação de 62 euros e considera, até mesmo, que a empresa de Amancio Ortega poderia se tornar um valor seguro dentro do setor do retail enquanto perdurar a incerteza no Oriente Médio.
Os canadianos alegam que um dos principais problemas para o setor do retail resultante do conflito no Oriente Médio estará nos maiores custos logísticos que terão que enfrentar devido ao maior aumento dos preços dos combustíveis. Não é por acaso que das poucas empresas da bolsa espanhola que nesta segunda-feira não terminaram no vermelho, Repsol e Naturgy posicionaram-se na liderança, com avanços de 5,6 e 1,37% respectivamente.
Do estreito de Ormuz ao canal de Suez
Pelo estreito de Ormuz, localizado entre o norte do Irão e Omã e o sul dos Emirados Árabes, circula cerca de 20% do petróleo mundial e um terço do mesmo que é transportado por via marítima. Ciente da ameaça que representa o encerramento para a economia internacional, a República Islâmica fecha parcialmente a passagem pelo canal.
No seu último relatório anual, referente ao exercício que terminou em fevereiro do ano passado, os gestores da Inditex já mencionavam a situação do Oriente Médio e também e canal de Suez, outro ponto agora no centro das atenções. Não está situado na região do Golfo Pérsico, mas é uma rota chave para mais de 10% do comércio marítimo mundial. Durante o último ano, esse caminho foi foco de ataques contra navios comerciais por parte dos rebeldes houthis, grupo islâmico aliado do Irão e também no ponto de mira do governo israelita.
Grandes empresas de navegação como Maersk, MSC e CMA novamente desviaram suas frotas do Mar Vermelho e do canal de Suez.
Bom, há exatamente um ano, já com problemas no Mar Vermelho, a Inditex indicava que isso não tinha se refletido em grandes impactos. “Apesar de a instabilidade no Oriente Médio ter sido mantida, nossas operações não sofreram disrupções significativas”, apontava. “O transporte marítimo entre Ásia e Europa continuou operando de maneira irregular ao ter que evitar o Canal de Suez. Consequentemente, nossos tempos de trânsito se ajustaram a esse novo ambiente e seu impacto não foi relevante”, expunha a companhia têxtil, cujo grosso da produção acontece nos chamados “mercados de proximidade”: Espanha, Portugal, Marrocos, Tunísia ou Turquia.
Lojas no Oriente Médio
No fecho do exercício de 2024-2025, a Inditex somava, incluindo Israel, 437 lojas nos países atualmente afetados pelo conflito no Oriente Médio.
Além das 82 lojas em território israelense, contava com 77 nos Emirados Árabes e 167 na Arábia Saudita, seus principais mercados na área; 16 no Bahrein, 36 no Catar, outras 33 no Kuwait, 18 na Jordânia e 8 em Omã. No ano passado, também começou sua entrada no Iraque.
Apesar de sua expansão, especialmente na Arábia Saudita e Emirados nos últimos anos, mercados de luxo…