Aliança entre David Chipperfield e a galega Cupa para reabilitar edifícios históricos

O escritório do arquiteto radicado na Galiza será responsável pela reabilitação do histórico imóvel The Grand de Nieuwpoort (Bélgica) e utilizará ardósia da Cupa para a sua cobertura

David Chipperfield – USC – Arquivo

David Chipperfield estreita os seus laços com a Galiza. O arquiteto britânico, que há anos está radicado em Corrubedo, selou uma aliança com a ardósia Cupa para reabilitar um edifício histórico da costa belga.

Em concreto, o estúdio do vencedor do Prémio Pritzker de arquitetura do ano 2023 é o responsável por realizar os trabalhos de reforma do The Grand de Nieuwpoort. David Chipperfield Architects recuperará a icónica silhueta do edifício e para isso recorreu à ardósia do gigante Cupa, o maior produtor europeu.

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E é que a nova cobertura incorporará a ardósia Cupa 4 Vlaams Model e buscará revitalizar este imóvel que foi construído no final dos anos vinte e que tem as suas torres como principais sinais de identidade. Após ter sido objeto de décadas de abandono, desde a Cupa destacam que, através desta reabilitação, se pretende “devolver-lhe a silhueta e o caráter que o tornaram num autêntico ícone arquitetónico”.

Assim é o projeto de Chipperfield

“O projeto reúne vários especialistas belgas em arquitetura e reabilitação patrimonial. A intervenção é impulsionada pela VDD Project Development, promotora especializada na recuperação de edifícios históricos, junto com David Chipperfield ArchitectsBureau Bouwtechniek e a construtora Verstraete.team“, precisa a firma.

Através destas ações, os promotores do projeto procuram recuperar o valor patrimonial do imóvel e, além disso, incorporarão “técnicas de construção modernas orientadas a melhorar a eficiência energética e garantir a durabilidade do edifício a longo prazo”.

Esta aliança representa um novo impulso para a Cupa. A companhia, que em 2022 foi comprada pelo fundo Brookfield (anteriormente propriedade da Carlyle), ergue-se como a maior produtora de ardósia natural do mundo. Com sede no concelho ourensão de Carballeda de Valdeorras, a firma fechou 2024 com um volume de negócios de 447 milhões de euros, crescendo 2% após a compra da sua concorrente Samaca.

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Leite Celta gera três de cada quatro euros de lucro da Lactogal, sua dona portuguesa

Leite Celta aportou no ano passado 7,2 dos 9,7 milhões de euros que a sua proprietária, a portuguesa Lactogal, registou de lucro líquido

Javier Bretón, diretor geral da Leite Celta, com uma planta do grupo ao fundo

No passado dia 9 de agosto, completaram-se 20 anos da compra da Leite Celta pelo grupo Lactogal. Naquela altura, o grupo luso chegou a um acordo com a americana Dean Foods e assumiu o controlo da empresa láctea galega em troca de cerca de 50 milhões de euros. Este movimento representou uma mudança no seu acionariado, mas não na sua sede, que permaneceu em Pontedeume, onde concentra algo mais de 220 dos seus quase 400 trabalhadores (os restantes estão localizados nas suas fábricas em Ávila e Cantábria, enquanto a de Meira foi comprada pela Naturleite há quase uma década).

Duas décadas após a sua chegada à Galiza, Lactogal encontra na Leite Celta um dos principais motores da sua conta de resultados. Não por acaso, o grupo português fechou o seu exercício fiscal de 2025 com um crescimento de 2,6% na faturação, que subiu para 1.167 milhões de euros, mas, por outro lado, sofreu uma redução de 72,4% no lucro líquido que se manteve à tona graças, precisamente, a subsidiárias como a Leite Celta.

As receitas da Lactogal recuaram para 9,7 milhões de euros. Deste valor, 7,2 milhões de euros (74,8% do total) correspondem à Leite Celta, que fechou o ano passado com uma queda tanto no seu lucro (reduziu 18% em relação a um 2024 de recorde) como nas suas receitas, que baixaram de 300,5 para 294 milhões de euros.

A crise da manteiga e aposta nos produtores

Lactogal viu a sua conta de resultados descer num exercício em que o excesso de oferta no mercado motivou uma redução dos preços tanto para o consumidor como nos pagamentos aos produtores. Nesse sentido, o presidente do grupo luso, José Marques, afirmou em declarações à imprensa no passado mês de maio que algumas empresas europeias reduziram as remunerações aos produtores em 17 cêntimos por litro.

“Aqui baixámos apenas três cêntimos. Este investimento este ano está a ser feito na produção, porque estamos conscientes de que, se baixássemos a esses níveis, ficaríamos sem produtores ou, pelo menos, sem uma grande parte deles”, destacou o presidente de um grupo em torno do qual giram marcas como Mimosa, Castelões, Agros, Gresso, Matinal, Vigor ou Milhafre dos Açores.

A este fator soma-se uma crise da manteiga que também se fez sentir na Leite Celta. “A Europa deixou de ser competitiva face a outras regiões, como a Nova Zelândia e os Estados Unidos. Ocorreu uma mudança que nunca tínhamos visto: passámos a ser importadores de produtos dos Estados Unidos, sobretudo queijo e manteiga, e o que vimos foi uma queda dos preços”, lamentou Marques. O executivo português chegou a mencionar que o preço da manteiga caiu de sete euros por quilo para cinco euros em duas semanas. “Foi uma brutalidade; isto teve um impacto enorme na indústria láctea europeia”, exclamou.

Lactogal superou a crise da manteiga e sacrificou rentabilidade em 2025 para manter uma base de produtores que chega a 2.000 em toda a Península Ibérica. A empresa portuguesa reúne um total de 12 fábricas entre Espanha e Portugal, onde emprega cerca de 2.500 trabalhadores e produz mais de 1.200 milhões de litros por ano.

Estes números poderão receber um impulso indireto caso a Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) autorize a aliança entre a Leite Celta (que obtém 84% das suas vendas com a sua marca própria) e a cooperativa Clun. Sob a denominação CoRural, ambas as empresas esperam formar um operador com 1.400 produtores de leite, 800 empregados, oito plantas industriais e marcas como Celta, Feiraco, Clesa ou Únicla.

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