Arturo Dopico abandona o cargo de conselheiro delegado na teleco portuguesa Nowo
O empresário galego, CEO da R durante 18 anos, deixou este inverno o seu cargo como primeiro executivo na companhia lusa, que um ano antes foi vendida pela MásMóvil à Digi
De acordo com o seu perfil no LinkedIn, o conhecido executivo galego Arturo Dopico deixou o seu cargo como CEO da Nowo, hoje nas mãos da Digi, no final de 2025. Fotos: Arquivo e Europa Press
Arturo Dopico, um dos executivos do setor de telecomunicações mais conhecidos na Galiza, muda de ramo. O diretor deixou recentemente o seu cargo de CEO do operador luso Nowo, que no verão de 2024 foi vendido por MásMóvil à empresa Digi por cerca de 150 milhões de euros.
Segundo o próprio perfil de LinkedIn de Dopico, o empresário deixou a empresa, com base operacional em Lisboa, em novembro passado, concluindo um período de seis anos no operador. O executivo ganhou grande relevância na comunidade galega pois, antes, ocupou o cargo de CEO da operadora galega R, onde permaneceu por pouco mais de 18 anos, de 1998 a 2016.
De R a Nowo
Dopico começou na R em 1998 e permaneceu à frente da empresa até que a venda para Euskaltel se concretizasse, em 2015. O diretor, contrário à operação, se despediu em fevereiro de 2016.
Quase quatro anos depois, em novembro de 2019, MásMóvil anunciou a contratação de Dopico para liderar seu negócio em Portugal, naquela época denominado Nowo/Oni, operador de telecomunicações inicialmente participado pela companhia de Meinrad Spenger e Gaea Inversiones.
Dopico não começou sua aventura portuguesa sozinho. Com ele foram dois diretores históricos de R que o acompanharam na expansão da empresa: Pablo Iglesias e Paco Rodeiro, que assumiram os cargos de diretor financeiro e de diretor de estratégia e negócios, respectivamente.
Uma equipe consolidada
Ambos também saíram da Nowo, segundo as informações publicadas em suas próprias redes sociais. Iglesias, que passou outros 18 anos na R junto com Dopico, deixou a empresa há um ano para voltar à consultoria HINTD, com sede em A Coruña.
Rodeiro, que também esteve na R durante todo o período de Dopico e o acompanhou na etapa na Nowo, saiu da empresa lusa já em outubro de 2024, pouco depois da venda de MásMóvil para a Digi. O executivo ficou com os de Meinrad Spenger, especificamente na Yoigo, segundo seu perfil em redes sociais.
Quando em 2019 MásMóvil contratou Dopico e seus cargos de confiança para Portugal, destacou que os três “estiveram na R desde seu começo e foram capazes de gerar mais de 1.000 milhões de valor e transformá-lo no operador integrado com os clientes mais satisfeitos de Espanha”. Curiosamente, a telecom amarela acabaria adquirindo R, ao apresentar em 2021 uma oferta pública de aquisição sobre a Euskaltel.
Operação de venda
Foi no verão de 2024 quando Digi adquiriu a filial portuguesa de MásMóvil, naquela altura, quarto maior operador de comunicações móveis e fixas no país.
A operação ocorreu depois de a Autoridade da Concorrência de Portugal decidir, alguns meses antes, bloquear a venda da Nowo para a Vodafone por uma quantia similar.
A entidade concluiu que a operação de concentração era susceptível de criar “obstáculos significativos à concorrência efetiva nos vários mercados de telecomunicações, resultando da mesma impactos unilaterais e coordenados conducentes a aumentos significativos de preço”.
Após a negativa das autoridades lusas da Concorrência, MásMóvil, agora integrada em Masorange, fechou uma nova venda em tempo recorde.