A carteira imobiliária de Amancio Ortega vale tanto quanto a metade dos ativos de todas as socimis de Espanha

Pontegadea gere imóveis com uma avaliação estimada em mais de 22.000 milhões enquanto o valor agregado dos ativos das imobiliárias cotadas em Espanha supera os 52.000 milhões

Amancio Ortega tem uma carteira imobiliária de mais de 22.000 milhões de euros que gere através da Pontegadea, dirigida por Roberto Cibeira Fotos: Europa Press

Este ano, a prestigiada publicação da Forbes coroou Amancio Ortega como o rei mundial do imobiliário, estimando-lhe uma carteira imobiliária que alcançaria uma avaliação próxima dos 25.000 milhões de dólares, cerca de 21.900 milhões de euros na conversão, composta por mais de 200 propriedades em cerca de 13 países. Para se ter uma ideia do volume de propriedades da Pontegadea, o holding do fundador da Inditex, basta um dado: equivaleria a quase metade do valor agregado dos ativos das 169 socimis que cotam na bolsa espanhola.

Segundo dados da ArmanexT publicados nesta sexta-feira, o mercado espanhol das socimis terminou o primeiro semestre do ano com um “novo máximo histórico” de 169 companhias cotadas, 10 a mais que no encerramento de 2025. As mesmas alcançam uma capitalização bolsista de 33.954 milhões de euros, o que representa um aumento de 16,4% em relação ao final do ano passado.

O tempo das socimis

Com Merlin e Colonial na liderança, as grandes socimis do Ibex, o estudo da firma assegura que o valor agregado dos ativos imobiliários atingiu, na primeira metade do ano, os 52.337 milhões de euros, o que representa um incremento de 4,74% em relação ao final de 2025.

As socimis, imobiliárias cotadas dedicadas ao arrendamento, estão em alta. Nos primeiros seis meses do ano, o seu número nas bolsas espanholas aumentou em 12, 50% mais que no mesmo período de 2025, tendo aportado 1.175 milhões em ativos imobiliários.

A ArmanexT destaca que as novas imobiliárias cotadas evidenciam a “clara tendência” para veículos especializados em residencial, habitação acessível, logística, hotéis, ‘senior living’ e outros ativos alternativos. A maioria, no mercado espanhol.

Diferentes apostas

Essa aposta difere em certa medida das compras da Pontegadea, o grupo corunhês liderado por Roberto Cibeira. Os de Ortega Gaona têm o seu primeiro mercado em número de ativos e rendas nos Estados Unidos, apesar do crescimento das compras na Europa nos últimos dois anos. Por outro lado, a carteira do grupo corunhês foca-se em edifícios de escritórios em zonas prime do globo, além de centros logísticos e hotéis.

Em algo coincidem, e é que o destino das aquisições é o arrendamento e não a venda. Com raras exceções, os de Amancio Ortega apostam em adquirir imóveis já ocupados e em funcionamento, o que lhes gera rendas desde o primeiro dia.

Segundo indicava a Forbes em abril deste ano, quando analisou as grandes propriedades imobiliárias de empresários particulares (ou seja, sem considerar os fundos de investimento e outros grandes detentores), Ortega teria destinado 24.000 milhões de dólares para adquirir imóveis em 25 anos, desde a saída à bolsa da Inditex, em 2001 (a Pontegadea reinveste em imobiliário grande parte dos dividendos que recebe da multinacional têxtil). Com esse dinheiro adquiriu cerca de 216 propriedades e apenas se desfez de uma dezena. A publicação destaca que supera o investimento de Jeff Bezos, cuja fortuna é de 250.000 milhões de dólares, com sua empresa de foguetes Blue Origin, que se situa nos 20.000 milhões de dólares.

Avaliação da carteira

O valor da sua carteira, se for considerada correta a avaliação da Forbes, teria aumentado já que, desde o passado mês de abril até agora, fechou mais compras. A última, um centro logístico no Canadá explorado pela Lactalis, por cerca de 115 milhões de euros e, antes, outro armazém na Holanda por 132 milhões e com Calvin Klein como inquilino.

Além disso, a Pontegadea estaria negociando a compra do complexo de escritórios parisiense Capital 8 que, segundo meios especializados, poderia chegar a 850 milhões de euros.

A última avaliação oficial da carteira imobiliária de Amancio Ortega é do final de 2024, e foi tornada pública através das contas das diferentes empresas do seu holding. Na altura, já rondava os 19.000 milhões de euros, segundo a valorização de especialistas independentes.

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