Entusiasmo na patronal de Megasa e Celsa pelas barreiras às importações chinesas de aço

Unesid afirma que valoriza "muito positivamente" o acordo para o novo entre o Conselho da UE e o Parlamento Europeu para proteger o mercado da sobrecapacidade da Ásia e prevê um "ponto de inflexão" no futuro do setor

Interior da fábrica da Megasa em Zaragoza

A UE deu um passo decisivo na proteção da indústria do aço da sobrecapacidade global, que provoca a entrada de produto a baixo preço no mercado europeu. Perante este cenário, o Conselho da UE e o Parlamento alcançaram um acordo para reduzir as cotas de importação em 47% em relação aos níveis de salvaguarda de 2024. Esta medida será adotada através de um novo regulamento que poderia entrar em vigor em julho e que endureceria a barreira de proteção frente à capacidade de produção da China.

O plano entusiasma a Unesid, a patronal que engloba as principais siderúrgicas da Espanha, num momento de grande preocupação por uma potencial escalada dos custos energéticos. Fazem parte da Unesid a galega Megasa, ArcelorMittal, Acerinox, Celsa, Sidenor ou Cristian Lay. Num comunicado, a organização avalia “muito positivamente” o acordo político e confia que será um ponto de inflexão para impulsionar o futuro do setor. “O novo quadro evita um cenário de vazio na proteção comercial, num momento especialmente delicado para a indústria siderúrgica europeia, marcado pelo aumento das importações e os desequilíbrios no mercado global”, diz a entidade.

Unesid recomenda que o mesmo espírito deste acordo se estenda aos setores a jusante que utilizam aço, com o objetivo de assegurar a demanda e proteger toda a cadeia de valor na Europa, assim como ampliar este novo instrumento aos produtos transformados. “A adoção deste novo instrumento permite dar continuidade à proteção do mercado europeu num momento crítico e responde melhor à realidade atual de sobrecapacidade global e pressão das importações”, indica Carola Hermoso, diretora geral da Unesid.

Os tarifas ao aço

O novo regulamento introduz um sistema revisado de contingentes tarifários (TRQ) para reforçar a proteção do mercado europeu. O elemento chave é a redução do volume de contingentes em 47% em relação ao acordo de 2024, situando as importações em 18,3 milhões de toneladas anuais. As importações fora de cota sofrerão um aumento do tarifa aplicável de até 50%.

O regulamento contempla a possibilidade de transferir cotas não utilizadas de um trimestre para outro durante o primeiro ano de aplicação. Desde a patronal entendem que é um planteamento “razoável” e que, na prática, terá um uso limitado. “Este acordo é uma muito boa notícia e representa um sucesso coletivo, tanto para o conjunto do setor como para o trabalho que vem sendo realizado desde há tempo a nível europeu
e nacional”, acrescenta Hermoso, quem recorda, no entanto, que o avanço deve ser completado com medidas adicionais para a competitividade da indústria. Em particular, destaca a importância de contar com custos energéticos competitivos, assim como com instrumentos eficazes que garantam um desenvolvimento equilibrado das políticas climáticas.

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