Monbus volta a aportar lucros milionários à Abanca, que explora a sua saída do grupo

As empresas participadas pelo banco de Juan Carlos Escotet aportaram um resultado positivo de dois milhões, a maior parte gerada pelo grupo de transporte de Raúl López

Raúl López, presidente da Monbus / Fórum Empresa Pontevedra

Monbus aportou um resultado positivo de 1,3 milhões à conta de resultados da Abanca no primeiro semestre do ano, quando o banco presidido por Juan Carlos Escotet gerou uns lucros de 386 milhões, uma queda de 9,6%. O principal operador galego de transporte de passageiros por estrada posiciona-se como a participada da Abanca com melhores resultados, superando os 787.000 euros aportados até junho pela auxiliar da automação Copo, fornecedora da Stellantis.

A entidade financeira abriu a porta no ano passado para se desfazer de 37% da companhia de Raúl López que tem em carteira, explorando uma possível venda da participação na Transmonbus, o holding de consolidação do grupo de transporte. O movimento buscaria, essencialmente, reduzir a exposição do banco em ativos não estratégicos, dos quais já restam poucos.

Da antiga e enorme corporação industrial das caixas galegas, restam nos balanços de Escotet essas duas participações na Copo (35,6%) e Monbus, além dos 20,2% da companhia naval Elcano, integrada no grupo galego Nosa Terra 21. O relatório de resultados semestrais da Abanca enviado à CNMV, no entanto, não inclui o resultado da companhia naval nos primeiros meses do ano. Isso permite que as participadas, com o rei galego dos autocarros à frente, aportem um resultado positivo de 2,1 milhões.

Os problemas da Elcano

A candidata a gerar prejuízos para a entidade financeira era, precisamente, a Elcano, que nos últimos anos gerou perdas importantes e reduziu notavelmente o seu volume de negócios. As últimas contas enviadas ao MARF mostraram números vermelhos de 17 milhões, acima dos 15,3 milhões de 2024.

A companhia explicava naquela memória que sua atividade foi afetada pelas paradas técnicas de quatro dos seus navios: «Estes períodos de paralisação repercutem numa redução das margens e ebitda no exercício em que são realizados porque durante esses períodos os navios que passam pela docagem não geram receitas, mas mantêm seus custos operacionais». Também destacava os problemas em dois terminais de descarga no Brasil que provocaram atrasos nas operações de cinco navios, além do mau desempenho do mercado spot de GNL.

«Os rendimentos da frota de GNL voltaram a diminuir significativamente em 2025, com uma redução em torno de 40% para navios modernos no spot. O transporte de GNL está sob pressão pelo excesso de navios, o que provoca um desajuste entre oferta e demanda, e acelera a retirada de navios antigos», diz a Elcano.

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