O maior grupo lácteo na Espanha e o CSIC lançam um plano para a sustentabilidade ambiental das fazendas
Lactalis e o Conselho Superior de Investigações Científicas identificam 27 alavancas de redução de emissões após recolher informações de mil explorações e estudar a fundo 16 fazendas piloto
Lactalis Espanha e o Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), através da Estação Experimental do Zaidín (Granada), anunciam a renovação e ampliação até 2033 do acordo de colaboração para impulsionar a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEI) em fazendas de bovino leiteiro
Lactalis, o maior operador do setor lácteo na Espanha por faturamento e volume de coleta, há tempos trabalha com o Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) na redução das emissões das explorações de bovino leiteiro, o elo primário da cadeia de valor que lhe permite levar ao mercado marcas como Puleva, Ram, El Ventero ou Gran Capitán. Esta aliança foi recentemente renovada até 2033, com o objetivo de identificar 27 alavancas de redução que possam se tornar medidas implementáveis nas fazendas.
A multinacional francesa desenvolve este projeto, precisamente, para obter soluções técnicas que possam ser implementadas e escaladas sem que a viabilidade das explorações seja comprometida. “O primeiro passo é medir corretamente a realidade de cada fazenda: se não compreendemos com precisão onde as emissões são geradas, não podemos desenhar soluções eficazes nem acompanhar o agricultor numa mudança real”, disse José Sáez, diretor de Lactalis Compras e Fornecimentos, num comunicado.
A colaboração de Lactalis e o CSIC une essa ambição ambiental com a vocação de melhorar a eficiência global das explorações, pois entendem que a capacidade de produzir de forma mais estável, com melhor uso dos recursos e maior resiliência ante a volatilidade dos custos anda de mãos dadas com a sustentabilidade.
Um milhar de fazendas auditadas
Lactalis auditou mais de 1.000 fazendas nos últimos três anos, o que permite agrupar tipologias, entender perfis produtivos e orientar recomendações ajustadas. Paralelamente, o CSIC prestou apoio técnico no escritório e no campo, revisando a ferramenta de medição e o processamento de dados “da fazenda à companhia”, e propondo melhorias que reforcem a comparabilidade e a confiabilidade. Segundo David Yáñez, pesquisador do CSIC e especialista em nutrição animal, este trabalho foi chave para “alinhar ciência e técnica com a realidade do terreno” e fazer com que a medição seja útil para transformar.
Esta abordagem metodológica constrói uma base objetiva para tomar melhores decisões de gestão. A medição comparável e a análise por tipologias permitem identificar práticas com impacto direto na eficiência do modelo produtivo (rendimento alimentar, manejo, fertilização, gestão de dejetos, bem-estar animal) e, com isso, em variáveis econômicas de primeira ordem: consumo de insumos, produtividade por vaca, estabilidade sanitária, custos energéticos e aproveitamento de recursos. Na prática, muitas das alavancas de redução também são alavancas de competitividade.
As fazendas piloto
O trabalho de profundidade materializou-se em 16 fazendas piloto, selecionadas para representar diferentes perfis e tipologias produtivas. Desse piloto surge o principal resultado do primeiro ano: 27 alavancas de redução em âmbitos como fertilização e manejo agronômico, eficiência de recursos, bem-estar animal, gestão de dejetos ou alimentação do gado, entre outros. Para facilitar sua aplicação, foram convertidas em fichas explicativas e materiais práticos dirigidos a técnicos e agricultores, com o objetivo de compartilhar uma linguagem comum, acelerar o entendimento e facilitar a implementação de medidas de forma realista e gradual.
De forma complementar, o CSIC vem ministrando formação em alimentação e nutrição animal à equipe de Lactalis para reforçar capacidades internas e facilitar o escalonamento.
Acompanhamento
O projeto se apoia em uma lógica de colaboração e proximidade com as fazendas participantes, imprescindível para que as medidas se integrem na operativa diária. “Vamos com muito respeito e proximidade, porque no final você está entrando na casa de alguém. Por isso é chave construir confiança desde o primeiro instante e explicar bem o propósito: trabalhar juntos para identificar oportunidades de melhoria e convertê-las em medidas úteis e aplicáveis. Nossa intenção é acompanhar os agricultores, fornecendo ferramentas e conhecimento para avançar passo a passo, desde a colaboração e como verdadeiros aliados”, resume a equipe técnica envolvida no piloto.
A ampliação do acordo até 2033 abre uma segunda etapa centrada na implementação progressiva, no acompanhamento e na melhoria contínua, com o objetivo de acelerar reduções reais na origem, onde se concentra o maior desafio do setor. Paralelamente, trabalhar-se-á em estruturar um sistema de desdobramento que permita priorizar medidas por tipologia de fazenda e, no futuro, habilitar um quadro de incentivos orientado a resultados, apoiado numa base metodológica robusta. “Passar do diagnóstico à ação significa exatamente isso: ter dados confiáveis, medidas concretas e um plano realista para implantá-las com os agricultores”, destaca José Sáez.
A partir de abril, o projeto prevê workshops técnicos e formação para trabalhar as 27 alavancas antes do desdobramento, a preparação do plano de implementação por tipologias e uma fase de saída a campo para começar o desdobramento progressivo, tomando como referência o ponto de partida da medição (2021) e avaliando avanços conforme se integrem as medidas.