Revolta ecologista contra o parque eólico que a portuguesa EDP tramita na Costa da Morte
Salvemos Cabana pede à Xunta que emita uma declaração de impacto ambiental negativa ao parque eólico Rego do Lobo, promovido pela EDP Renováveis em Muxía, Cee e Dumbría
Imagem de arquivo de um parque eólico da EDP
Salvemos Cabana entra em ataque contra o parque eólico Rego do Lobo. A associação de defesa ambiental denunciou que este projeto, cujos documentos foram disponibilizados ao público na última sexta-feira, afetará uma espécie de caracol em perigo de extinção e classificou o projeto como “incompatível” com a proteção da biodiversidade na Costa da Morte.
Promovido por EDP Renováveis, o parque eólico, se completar a fase de tramitação, contará com quatro aerogeradores e uma potência total de 24,2 megavatios entre os concelhos de Muxía, Cee e Dumbría.
Após a análise dos documentos sujeitos a consulta, desde Salvemos Cabana consideram que esta instalação energética representaria uma “ameaça crítica e inaceitável” para espécies faunísticas com os mais altos níveis de proteção legal, cuja presença na área foi “confirmada empiricamente”. É por isso que instaram à Xunta para emitir uma declaração de impacto ambiental (DIA) negativa ao projeto promovido por EDP Renováveis.
Um dos achados que consideram “mais alarmantes” é a identificação direta do caracol de Quimper (Elona Quimperiana), que advertem estar catalogado como em perigo de extinção pela legislação regional.
Um “barotrauma”
Por outro lado, a entidade aponta que o estudo técnico confirmou a presença na área de sete espécies de morcegos, três das quais estão ameaçadas: o morcego da caverna e o morcego grande de ferradura estão catalogados como vulneráveis tanto a nível estatal como regional; e o morcego pequeno de ferradura é considerado vulnerável a nível regional. Além disso, outras duas espécies apresentam um “risco elevado de incidências com os aerogeradores projetados”.
Neste contexto, Salvemos Cabana enfatiza o “barotrauma”, dado que as variações de pressão geradas na zona de rotação das pás “podem provocar a morte de quirópteros, sofrendo um colapso interno sem que sequer seja necessário um choque físico com as pás em movimento”.
Além disso, adverte que o parque eólico pretende instalar-se na zona 1 do plano de gestão do lobo, classificada de alta densidade, o que equivale a 2,29 lobos por cada 100 quilómetros quadrados. “Longe de ser uma área de passagem esporádica, as câmaras de fotoarmadilha do estudo detectaram 25 capturas independentes ao longo do ano”, explica o comunicado.
Desde Salvemos Cabana avançam que estão preparando alegações ambientais, que estarão à disposição do público que poderão ser descarregadas a partir de 10 de abril, e convida a juntarem-se à ação da associação e apresentá-las.