O Santander volta a disputar o trono do Ibex com a Inditex e coloca-se a pouco mais de 1.000 milhões de distância
Com um Ibex que repetiu máximos históricos pelo quarto dia consecutivo, impulsionado pelo acordo entre os EUA e o Irã, a têxtil e a financeira colocam-se como sétima e oitava cotadas da zona euro por valor em bolsa
Ana Botín e Marta Ortega, presidentas do Banco Santander e da Inditex
Apesar de que Inditex conseguiu esta semana dar a volta por cima e recuperar tudo o perdido na bolsa este ano devido ao impacto da crise de Ormuz, o bom momento que os bancos atravessam no Ibex fez com que, novamente, o Banco Santander esteja em condições de disputar o trono do seletivo em termos de capitalização. No encerramento da sessão desta quarta-feira, a distância entre ambos situava-se em 1.159 milhões de euros, um valor que não é especialmente elevado tendo em conta a dimensão de ambas as cotadas.
Inditex registou uma subida de 0,89%. Com a ação a ser negociada a 56,44 euros, os investidores valorizam a multinacional de Marta Ortega em 175.903 milhões de euros, face aos 174.744 milhões do Santander, cuja ação subiu 2,25%.
Semana doce no Ibex
A disputa entre ambos os valores volta a apertar-se numa semana doce para o Ibex, que fechou a sessão de quarta-feira com uma alta de 1,35%, situando-se nos 19.421,9 pontos, o que representa um novo máximo, o quarto consecutivo, para o seletivo. O índice espanhol foi favorecido pela tendência ascendente impulsionada pelo acordo entre Estados Unidos e Irã e pelas perspetivas para a reunião do Federal Reserve dos EUA, a primeira com Kevin Warsh como governador.
Os analistas davam como certo que a autoridade monetária norte-americana não alteraria as taxas de juro, com a inflação mais alta em três anos, como assim tem sido, até ao momento.
Os bancos em alta
Em todo o caso, e embora o maior avanço no Ibex tenha sido da Acciona, com uma subida de 4,5%, a jornada terminou com um avanço notável dos bancos, o que favoreceu que o Santander reduzisse a distância para a Inditex em termos de capitalização. Bankinter subiu 2,8%, Unicaja e Caixabank 2,6%, BBVA 2,5%, Sabadell 2,4% e Santander 2,2%. Segundo aponta Finanzas, o bom desempenho do sistema financeiro faz sentido, dadas as expectativas de subida das taxas de juro na Europa, o que antecipa uma melhoria das suas margens.
Este maior repique do Santander fez com que esta quarta-feira a financeira de Ana Patricia Botín terminasse o dia como o oitavo melhor valor da zona euro em termos de valor de mercado, acima da SAP e imediatamente atrás da Inditex, que ocupa o sétimo lugar.
Apoio dos analistas
Apesar do impulso do banco, a Inditex mantém o trono do Ibex em termos de capitalização e esta mesma semana voltou a superar a cotação que apresentava no final do ano passado, beneficiada pelo acordo de paz entre Estados Unidos e Irã e impulsionada após a apresentação dos resultados do seu primeiro trimestre fiscal. Em todo o caso, a chave está em que, no que vai do exercício, as ações da multinacional de Marta Ortega valorizam-se 1,8% enquanto as do Santander registam um avanço de mais de 19%.
Ambos os valores receberam esta semana novos apoios por parte dos analistas. No caso da Inditex, por exemplo, o RBC reiterou a sua recomendação de compra, vendo ainda um alto potencial na cotada, ao manter o seu preço-alvo em 63 euros. A matriz da Zara cotiza neste momento a 56,44 euros, encaminhando-se, novamente, para os seus máximos, embora ainda longe dos mais de 58 euros que chegou a marcar no início do ano, antes da eclosão do conflito no Médio Oriente.
No caso do Santander, um dos últimos relatórios de analistas foi o do KBW, que destacou a força da financeira entre os bancos europeus e atribuiu-lhe um preço-alvo de 13,30 euros, com um potencial de mais de 11% após o impulso desta quarta-feira.
Sem mudanças desde 2022
Embora o banco tenha-se aproximado em várias ocasiões este ano da Inditex na sua cifra de capitalização, nunca conseguiu dar o sorpasso. De facto, o grupo fundado por Amancio Ortega não perde a liderança de capitalização do Ibex desde a primavera de 2022, quando cedeu temporariamente o primeiro lugar à Iberdrola, no contexto de incerteza marcado pela guerra na Ucrânia e com a companhia a abandonar o próspero mercado russo, onde contava com cerca de 500 lojas.
Onde a sua liderança é indiscutível é no setor da moda. Ali, a última vez que perdeu este primeiro lugar foi em janeiro de 2021, quando foi temporariamente ultrapassada pela Fast Retailing, a matriz japonesa da Uniqlo. Neste momento, a cotada do Nikkei apresenta um valor em bolsa que ronda os 137.000 milhões.