Castrosua entra em perdas e aposta em alianças com as chinesas BYD e Yutong para voltar a crescer
O grupo de Santiago fechou o ano passado com números vermelhos no valor de 678.000 euros, mas olha para 2026 com "otimismo" com seu plano baseado na diversificação, na eletrificação e na sua expansão no mercado internacional
O presidente da Castrosua, Juan Luis Castro (o segundo mais próximo) na apresentação dos novos autocarros da Vitrasa junto ao presidente da Câmara de Vigo, Abel Caballero, e o diretor de Contas do grupo, Fernando Martínez
Castrosua regressa a números vermelhos. O grupo carrocero sofreu perdas antes de impostos no valor de 678.303 euros em 2025, ano que a empresa classifica como “ano de transição, resiliência e consolidação estratégica”.
Conforme se desprende do seu último estado de informação não financeira (EINF), Castrosua viu a sua conta de resultados inverter-se em relação a 2024, quando obteve um lucro de 702.250 euros. A empresa, que em 2025 teve que aplicar um expediente de regulação temporária de emprego (ERTE) por causas de caráter produtivo, atribui esta desaceleração à existência de um “ambiente mais complexo, caracterizado pela lentidão administrativa na resolução de concursos públicos e por uma ligeira contração nas matriculações do setor”.
Não por acaso, Espanha encerrou o ano passado com um total de 2.831 matriculações de veículos novos com mais de 16 toneladas, o que representa uma queda de quase 6%. “Esta queda impactou de forma especialmente significativa o segmento urbano, que caiu 25%, sendo este o mais afetado pela paralisação e atraso em concursos públicos, e o segmento de cercanias que caiu cerca de 9%, precisamente os de maior peso para a nossa atividade”, ressalta Castrosua no seu EINF.
O salto da Castrosua
“Apesar deste contexto de clara contração nos nossos principais mercados, Castrosua alcançou uma quota de 19% no segmento de
cercanias e de 16% considerando conjuntamente urbano e cercanias, reafirmando a nossa posição como uma das companhias de referência do setor em Espanha“, explica a empresa.
Além destes dois mercados (o de cercanias e o urbano), Castrosua também entrou no âmbito interurbano através do seu modelo Hero. Com ele, a empresa sediada em Santiago de Compostela completa a sua gama 100% eletrificada nos três segmentos em que opera. “Este novo desenvolvimento soma-se aos nossos avanços prévios em eletrificação com Nelec no urbano e 75CS em cercanias, culminando um percurso de mais de 30 anos apostando em combustíveis alternativos e reafirmando o nosso compromisso pioneiro com a descarbonização do transporte”, reivindica a empresa.
Castrosua, que em 2025 reduziu o seu quadro de pessoal de 297 para 280 trabalhadores, prevê que “a eletricidade ou o hidrogênio” serão os “claros protagonistas” do novo cenário no âmbito da energia de propulsão. Por isso, a empresa aposta na diversificação do seu catálogo de produtos como uma das suas alavancas para voltar a crescer. “Olhamos para 2026 com prudente otimismo. Já contamos com uma carteira de pedidos que oferece visibilidade e estabilidade para os próximos meses, favorecendo uma progressiva normalização da atividade”, sublinha a empresa.
“Ao mesmo tempo, continuaremos avançando no nosso plano estratégico, reforçando alianças tecnológicas, consolidando a nossa gama eletrificada e explorando novas oportunidades tanto em mercados internacionais como em projetos que, dentro da nossa capacidade de diversificação industrial e de gestão personalizada, nos permitam ampliar horizontes e gerar novas linhas de atividade”, ressalta a empresa no seu EINF.
O mercado internacional
Além de ampliar o catálogo de produtos e reforçar a sua aposta na eletrificação, Castrosua volta o olhar para o exterior. “Os mercados internacionais continuam no ponto de mira e nos objetivos da Castrosua como alavanca estratégica de crescimento, diversificação e desenvolvimento de alianças”, acrescentava o grupo santiaguês.
Neste sentido, Castrosua colabora há anos com gigantes do setor como Scania, Volvo (propriedade da chinesa Geely) ou a também asiática BYD. A estes três nomes junta-se o da chinesa Yutong. A empresa presidida por Juan Luis Castro anunciou em outubro passado a assinatura de uma carta de intenções (LOI) na qual ambas as companhias expressavam “o seu interesse mútuo em estabelecer uma colaboração estratégica para o desenvolvimento, produção e comercialização de autocarros 100% elétricos destinados ao mercado europeu”.
“Este passo marca o início das conversações entre ambas as empresas e representa um marco importante na estratégia da companhia”, avançava Castrosua, cujo acordo contemplava a possível integração da tecnologia elétrica da Yutong com as carroçarias do Grupo Castrosua, adaptadas aos requisitos técnicos e de qualidade do mercado europeu.