Stellantis convence os investidores após a ‘virada’ de Filosa e ganha 4.000 milhões em bolsa em um mês

As ações da Stellantis dispararam 21,3% no último mês diante da reversão de seu novo CEO ao plano de eletrificação de Carlos Tavares, a previsão de retorno aos lucros e a renovada aposta no mercado dos Estados Unidos

Antonio Filosa, CEO da Stellantis

Impacto significativo da Stellantis na bolsa. As ações da multinacional com planta em Balaídos valorizaram-se 21,31% ao longo do último mês e interromperam a perda contínua que vinham sofrendo desde o início de 2024.

De fato, os títulos da empresa liderada por Antonio Filosa fecharam a sessão de terça-feira a 6,93 euros, registrando um avanço de 3,48% na última sessão. São níveis que ainda estão distantes dos 27 euros que aproximaram em março de 2024, mas que permitem que a companhia recupere os 20.000 milhões de euros de capitalização de mercado.

Concretamente, Stellantis ganhou 4.041 milhões de euros em valor de mercado no último mês, passando de uma avaliação de 15.963 milhões para 20.004 milhões, dando assim os primeiros passos para a sua recuperação. Esta escalada ocorreu logo após o colapso que protagonizou no início de fevereiro, após anunciar que assumiria custos de cerca de 22.200 milhões de euros (26.500 milhões de dólares) ao reduzir suas ambições em veículos elétricos.

A reviravolta de Antonio Filosa

Stellantis recuou 29,4% e passou de 8,66 euros para 6,11 em apenas duas sessões após anunciar que cancelaria modelos elétricos e suspendia o pagamento de dividendos. A empresa reconheceu que tinha “sobreestimado o ritmo da transição energética” e antecipava o início de uma nova etapa.

Já com Antonio Filosa no comando após a polémica saída de Carlos Tavares (foi o CEO durante a última década), a empresa reverteu o plano de eletrificação maciça seguido pelo executivo português e espera-se que neste mês de maio seja tornada pública a sua nova estratégia.

Será no dia 21 quando Stellantis celebre o seu Investors Day e espera-se uma viragem depois de Antonio Filosa ter adiantado a adoção de “uma abordagem mais pragmática” e mais “alinhada com a demanda real do mercado”. Na opinião do executivo italiano, a empresa colocou um “ênfase excessivo na eletrificação” e agora finaliza um ajuste na sua estratégia.

O plano estratégico anterior (o Dare Forward 2030, impulsionado durante a gestão de Carlos Tavares) estabelecia como meta que 100% da sua gama de veículos na Europa fosse elétrica em 2030. Até esse ano, pretendia-se ter 75 modelos elétricos diferentes e apostava em vender cinco milhões de unidades deste tipo de veículos.

Para o novo plano estratégico espera-se uma mudança de foco em favor dos motores de combustão, bem como uma renovada aposta na qualidade e na satisfação dos clientes. Por isso, contratou um total de 2.000 engenheiros para intensificar os controlos de qualidade e o desenvolvimento de produtos.

Ademais, está previsto que o grupo, ao qual pertencem marcas como Opel, Citroën, Peugeot, Jeep ou Fiat, amplie a sua gama de veículos, baixe preços e reavalie investimentos. A empresa anunciou no início deste ano que dedicará 13 bilhões de dólares (cerca de 11.020 milhões de euros ao câmbio atual) nos Estados Unidos, com o objetivo de recuperar um mercado chave, mas onde nos últimos anos vinha registando quedas de dois dígitos.

Stellantis prevê o lançamento de cinco novos modelos neste país, onde calcula que aumentará a produção em 50% e criará 5.000 novos postos de trabalho.

Retorno aos lucros

Após registrar perdas recorde de 22.368 milhões de euros em 2025, o consenso de mercado considera que o consórcio retornará ao caminho da rentabilidade e que ganhará 1.695 milhões de euros este ano. “Esperamos melhorias nos lucros líquidos, nas margens e no fluxo de caixa livre, suportados por uma sólida liquidez e um modelo operacional mais resiliente”, enfatizou Antonio Filosa durante a assembleia geral de acionistas realizada nesta terça-feira.

Por sua vez, John Elkann, que foi reeleito presidente de Stellantis, defendeu que a empresa “demonstrou uma sólida resiliência em 2025 e estabeleceu as bases para sua recuperação. À medida que avançamos para 2026, fazemos isso com humildade face aos desafios que temos pela frente e com uma renovada confiança na nossa capacidade de enfrentá-los”, salientou.

Elkann elogiou Antonio Filosa, que, na sua opinião, “liderou com um foco centrado nas pessoas, enquanto redefinia as prioridades da empresa”. “Estabeleceu uma equipe diretiva renovada que demonstra coesão, rigor e eficácia na tomada de decisões e na execução”, concluiu.

Agimos rapidamente para simplificar nossa organização, reconectar com nossos clientes e as comunidades onde operamos, e começar a reposicionar a empresa para um crescimento sustentável e rentável. (…) Como resultado, tem-se feito visível uma melhoria constante e progressiva, trimestre após trimestre, impulsionada pelo nosso renovado foco no que mais importa: nossos clientes e suas necessidades”, concluiu.

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