Talgo mantém a provisão de 116 milhões pelos atrasos dos Avril e descarta novos impactos nas suas contas

O conselho de administração do grupo ferroviário não indica, em um documento recente pela renovação do seu programa de notas promissórias, que existam novas reclamações da Renfe a respeito do procedimento pela demora na entrega do equipamento chave para o AVE galego

Trem AVE da Talgo, Avril – TALGO – Arquivo

O conselho de administração da Talgo acordou renovar seu programa de emissão de notas promissórias no Mercado Alternativo de Renda Fixa (MARF) para 2026 com um saldo vivo de 150 milhões de euros para gerenciar suas necessidades de circulante. No documento atualizado de informação ao mercado, a companhia participada pela SEPI, o Governo basco, Sidenor, BBK e Vital indica que mantém a provisão que realizou em 2024 para pagar à Renfe pelas reclamações pela demora na entrega dos trens Avril, chaves para o desenvolvimento da alta velocidade em Galiza, embora não indique que a operadora do sistema tenha ampliado a reclamação nem que existam novas que possam impactar em suas contas de 2025.

Na documentação consultada por Economía Digital Galiza, Talgo indica que “em relação ao contrato de fornecimento de 30 trens de muito alta velocidade, em julho de 2022 Renfe iniciou um procedimento sancionador por 116 milhões de euros”. “Em dezembro de 2024, a Renfe confirmou formalmente as sanções e anunciou a emissão de uma exigência de pagamento, arquivando assim o procedimento administrativo e deixando a via judicial como única alternativa para evitar o pagamento”, lembra.

Perdas em 2024

Foi por este motivo que Talgo provisionou já em suas contas de 2024 uma partida de 116 milhões de euros que decantou sua entrada em perdas. O grupo fechou esse exercício com números vermelhos de 107,9 milhões de euros frente ao benefício de 12,2 milhões de euros de 2023. Indicou então que, se não tivesse realizado essa provisão, teria alcançado um lucro líquido de 8,8 milhões de euros.

Ainda que mantenha a provisão, a companhia insiste que “conta com sólidos argumentos técnicos e legais e tem a intenção de buscar um acordo com a Renfe que proteja seus interesses e os de seus acionistas, reservando-se o direito a empreender ações legais”.

“Sem impacto significativo” em 2025

No entanto, nesta recente comunicação ao mercado, Talgo não indica que haja novidades com respeito à reclamação da Renfe nem tampouco que esta tenha sido ampliada, um extremo que estava sobre a mesa, já que a companhia se reservou o direito de solicitar 50 milhões mais.

Sem mais notícias da Renfe, a direção da Talgo aponta, ademais, que “considera que a resolução do resto dos procedimentos e reclamações existentes não terá um efeito significativo nos estados financeiros consolidados do exercício de 2025, ao terem sido constituídas as provisões oportunas para os mesmos”.

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