Telxius, o negócio da Telefónica e Amancio Ortega, volta a reduzir lucros mas assegura 600 milhões em contratos
A Telxius Telecom, empresa participada em 70% pela Telefónica e em 30% pela Pontegadea, alcançou um resultado positivo de 57 milhões de euros em 2025, o que representa uma queda de quase 8% em relação ao ano anterior
Amancio Ortega e Marc Murtra
Telxius sofre um novo corte de benefícios, mas evita os números vermelhos milionários de sua matriz, Telefónica. A companhia global de infraestruturas de telecomunicações que tem Pontegadea (braço investidor de Amancio Ortega) como acionista minoritário (sua participação é cerca de 30%) fechou seu exercício fiscal de 2025 com um resultado positivo de 57 milhões de euros.
Assim o revela Telefónica no relatório individual que apresentou esta terça-feira perante a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV). No documento, o grupo que é presidido por Marc Murtra indica que sua filial conta com um valor líquido em livros de 344 milhões de euros e que conseguiu manter-se na zona de benefícios embora seu resultado de operação tenha voltado a apresentar um número negativo: -10 milhões de euros.
Dessa forma, Telxius Telecom sofre um novo corte em seus benefícios (de 7,9%) em comparação com os 61,9 milhões de euros colhidos no ano anterior. Naquela época, a empresa participada por Telefónica e Pontegadea vinha de registrar uma queda de 14,2% neste quesito após um 2023 em que Telefónica e Pontegadea fecharam a compra de 40% das ações que ainda estavam nas mãos do fundo de investimento KKR em troca de cerca de 215 milhões de euros.
Evita os números vermelhos da Telefónica
Telxius, que agora concentra sua atividade nos centros de dados e seus mais de 100.000 quilômetros de fibra óptica submarina, evitou, dessa forma, as perdas de 4.318 milhões de euros em que incorreu sua matriz. Aos 2.500 milhões nos quais se cifra o custo de seu expediente de regulação de emprego (ERE), somam-se os 2.384 milhões pelo impacto da venda de suas filiais em Argentina, Peru, Uruguai, Equador e Colômbia.
Em seu relatório anual, Telefónica revela que também sofreu um corte de 31,5% no resultado atribuído a interesses minoritários das operações contínuas, que se situou em 73 milhões de euros no quarto trimestre. Isso se deveu, segundo seu relato, “ao menor benefício dos interesses minoritários de Telxius“. No conjunto do ano, a queda reduz-se até 2,7% depois de ter obtido 281 milhões de euros por essa via.
As fortalezas de Telxius
Apesar dessa nova queda em matéria de benefícios, Telefónica também reivindica as fortalezas de Telxius. Entre elas, a cotada espanhola destaca o “elevado nível de rentabilidade” de sua filial, ao apresentar uma margem ebitda ajustada superior a 45% em 2025.
Paralelamente, Telefónica também enfatiza que Telxius “assinou contratos por mais de 600 milhões de dólares, resultado da renovação de contratos de longo prazo com as operadoras de Telefónica, da sustentada demanda dos hiperscalers e da crescente contribuição dos serviços de colocation (serviços de housing gerenciado e de alta disponibilidade para operadoras, carriers, etc.)”.
“Além disso, o tráfego manteve sua taxa de crescimento de dois dígitos no ano de 2025, (um 13% interanual), que, junto ao contínuo avanço de seu plano de transformação para a contenção do gasto, focado na redução estrutural da base de custos, lhe permitiu manter um elevado nível de rentabilidade”, esclarece a companhia.
Estes relatórios anuais são os últimos de Guillermo Ansaldo à frente de Telxius. E é que o Boletim Oficial do Registro Mercantil (Borme) recolhia nesta segunda-feira a nomeação de Javier de Paz como novo presidente desta sociedade participada por Telefónica e Pontegadea.
De Paz, que foi secretário-geral das Juventudes Socialistas e membro da executiva do PSOE entre 1984 e 1993, deixou o conselho de administração da operadora no passado mês de outubro para exercer como diretor adjunto de Marc Murtra e como responsável de Infraestruturas, Ativos Imobiliários e Responsabilidade Social Corporativa. Agora, De Paz combinará essas funções com seu posto à frente da Telefónica Audiovisual Digital (Movistar Plus+).