Yolanda Díaz suspende a tramitação do acordo da ARTE, a patronal da Inditex e Mango
O Ministério do Trabalho exige à comissão negociadora a correção de vários aspectos do texto, por não estarem em conformidade com a legislação vigente, segundo a UGT
Jornada de greve no comércio têxtil da Corunha em janeiro / CIG
O Ministério do Trabalho de Yolanda Díaz suspendeu a tramitação do acordo coletivo da ARTE, o primeiro a nível estatal de grandes cadeias do comércio têxtil e que afeta cerca de 120.000 trabalhadores. Segundo a UGT, requer à comissão negociadora a correção de numerosos aspetos do texto apresentado para o seu registo por não se ajustar à legislação vigente.
Em concreto, a Associação Retail Têxtil Espanha (ARTE), que conta entre os seus associados com Inditex, Mango, Primark e H&M, entre outras marcas de moda, e os sindicatos CC OO e Fetico assinaram no início de junho o texto definitivo deste acordo, perante a rejeição da UGT que não assinava o acordo.
UGT mexe as peças
Após a decisão do Trabalho, a Federação de Serviços, Mobilidade e Consumo da UGT (FeSMC-UGT), através do seu Setor de Comércio e Grandes Armazéns, avaliou “muito positivamente” a resolução ditada pela qual se suspende a sua tramitação.
O sindicato assinalou que esta resolução representa um “apoio” às suas advertências desde que CCOO, Fetico e a patronal decidiram assinar um acordo que, longe de melhorar as condições laborais do setor, incorpora numerosos preceitos que agora o Trabalho considera “incompatíveis” com a legislação vigente e que devem ser corrigidos antes que o procedimento possa continuar.
A UGT explicou que apresentou um escrito perante a Direção-Geral do Trabalho solicitando que o acordo não fosse registado e promovendo a sua impugnação judicial. Assim, a resolução do Trabalho incorpora expressamente esse escrito, junto com os apresentados por outras organizações sindicais, dentro do processo administrativo.
“Grave retrocesso”
Entre as deficiências detetadas pela Direção-Geral do Trabalho figuram questões de “enorme transcendência” para os trabalhadores do setor como a regulação da prioridade aplicativa relativamente aos acordos coletivos existentes, a contratação temporária, os contratos de substituição, as excedências, as reduções de jornada ou a aposentação forçada, que deverão ser modificados antes que o procedimento possa continuar.
A UGT assinalou que durante toda a negociação já tinha advertido que o acordo da ARTE supunha um “grave retrocesso” para milhares de trabalhadores e que, além disso, apresentava “importantes dúvidas de legalidade”.
Desde a FeSMC-UGT reiteram que continuarão “a utilizar todas as vias legais e judiciais necessárias para impedir que entre em vigor um acordo que, além de prejudicar milhares de trabalhadores do comércio, enfraquece a negociação coletiva territorial e consolida um modelo que incrementa a flexibilidade empresarial em detrimento dos direitos laborais”.