Os trens Avril torpedeiam novamente as contas da Talgo, que adverte que “não recebeu os pagamentos previstos”

Os de Antonio Jainaga indicam que as suas contas de 2025 voltaram a ser penalizadas pela provisão da possível reclamação da Renfe de 116 milhões, além de terem saltos pendentes de faturar no valor de outros 100

Talgo recebe a maior encomenda da história da operadora ferroviária alemã Deutsche Bahn

O novo conselho de administração de Talgo, presidido por José Antonio Jainaga, herdou o conflito que a companhia de construção ferroviária mantém com a Renfe acerca do atraso na entrega dos trens Avril, fundamentais para o desenvolvimento da alta velocidade na Galiza, um episódio que tem impactado fortemente as contas da cotada pelo segundo ano consecutivo.

A companhia fechou o exercício de 2025 com um prejuízo de 100 milhões de euros, o que representa uma redução de 6,7% em relação aos números vermelhos de 2024. Com um volume de negócios de 618 milhões de euros, o lucro bruto de exploração da companhia, o EBITDA, ficou em 0,6 milhões de euros, embora excluindo itens extraordinários teria aproximado aos 54 milhões. Os administradores insistiram nas boas perspectivas de futuro apesar dos dois anos de prejuízos devido ao grande aumento do seu portfólio de encomendas. Terminou o exercício com contratos em carteira no valor de 4.446 milhões de euros, um número que se estendeu até os 6.000 milhões a esta altura de 2026 após a recente formalização do contrato com a Arábia Saudita pela qual fabricará 20 trens de Muito Alta Velocidade.

A firma espera terminar o ano em curso com nível recorde de atividade industrial e impulsionando suas receitas até os 750 milhões de euros. Em todo caso, o processo judicial pelos atrasos na entrega dos trens Avril continua sendo um peso de difícil digestão.

Mais dívida financeira

Talgo indica que seu 2025 foi impactado por uma dívida financeira líquida de 394 milhões de euros, bem como os gastos derivados do ajuste do projeto da Deutsche Bahn (DB) e o acordo alcançado com Los Ángeles Metropolitan Transportation Authority (LACMTA).

Em sua memória do exercício, enviada nesta sexta-feira à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) e consultada por Economia Digital Galiza, indica que “o resultado financeiro foi penalizado no presente exercício, entre outros aspectos, pelo aumento da dívida financeira bruta do período.

Indica que esta situação, juntamente com os prejuízos do exercício 2024, “resultaram numa redução relevante do patrimônio do grupo”. E esses números vermelhos se deveram, principalmente, pela provisão que teve que realizar perante a reclamação da Renfe de uma penalização de 116 milhões de euros pelos atrasos na entrega dos Avril.

Renfe iniciou um processo de reclamação do qual por enquanto não há novidades. Em sua última memória, os administradores da Talgo mostram seu repúdio ao processo. “Importante destacar, acerca da multa mencionada, que ao final do exercício e confirmando seu total desacordo, Talgo mantém sua oposição à mesma e continua na sua posição de proteger os interesses de seus acionistas ante qualquer atuação legal que possa ser realizada pelo cliente”, expõe.

Multa e cobranças pendentes

Mas a Talgo não só é afetada por essa reclamação, também por cobranças pendentes relacionadas com o contrato dos Avril.

Explica que, além do impacto que supôs a provisão de 116 milhões, “durante o exercício de 2025, Talgo não recebeu os pagamentos previstos do projeto de fabricação de 30 trens Avril, mantendo-se procedimentos judiciais de reclamação”. Além disso, “também não faturou os trabalhos executados pendentes de faturar do mencionado projeto”. Estes fatores, assim como o investimento de capital de giro nos projetos atualmente em execução derivaram no “incremento significativo da dívida financeira líquida”.

Os administradores da companhia indicam que ao final de 2025 contabilizava “saldos pendentes de faturar por importe de 98,5 milhões de euros associados ao projeto dos 30 trens Avril da Renfe”. Além disso, no apartado de “saltos vencidos” também inclui “faturas por importe de 22 milhões associadas ao mesmo projeto, encontrando-se reclamadas em dois procedimentos ordinários”.

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