A sanção recorde do Consumo a Airbnb revela quase 7.000 anúncios ilegais em Galiza
O território com maior número de anúncios ilegais é a Comunidade Valenciana, com quase 22.000, seguida das Ilhas Canárias, com 12.486
O ministro dos Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030 – Eduardo Parra – Europa Press
Galiza concentra junto à Comunidade Valenciana e Canárias a maior parte dos 65.122 anúncios ilegais sancionados a Airbnb, com uma multa de 64 milhões por parte do Ministério do Consumo, a segunda maior sanção da sua história, por práticas comerciais desleais como a publicidade de alojamentos sem licença ou com números falsos. Em concreto, um de cada três desses anúncios estão na Comunidade Valenciana com quase 22.000 páginas sem número de registo, seguida das Canárias, com 12.486, e Galiza, com 6.897.
Todos os casos sancionados são anteriores à entrada em vigor da Janela Única Digital, uma medida que agora obriga ao número de registo em todos os anúncios de alojamentos turísticos em Espanha.
Multa histórica a Airbnb
O Ministério dos Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030, a cargo de Pablo Bustinduy, impos uma sanção de 64.055.311 euros à plataforma de aluguer turístico online Airbnb pela publicação de 65.122 anúncios de habitações turísticas ilegais na sua plataforma.
A multa, que constitui a segunda mais alta na história do Ministério, deve-se a uma infração grave por práticas comerciais desleais, sendo o montante equivalente a seis vezes o benefício ilícito obtido pela plataforma como consequência das práticas sancionadas.
Estas práticas incluíram a publicação de alojamentos sem o número de registo requerido pelas normativas autonómicas (o caso maioritário, com 59.229 anúncios retirados), com números de licença ou registo falsos ou incorretos (5.769 casos), e omitindo informação sobre a natureza jurídica do anfitrião, incorrendo em publicidade enganosa.
A sanção por não incluir o número de registo está presente em todo o território do Estado, com a exceção de Madrid, Andaluzia e Estremadura, devido a que a normativa autonómica no período analisado (anterior à Janela Única Digital) não recolhia esta obrigatoriedade.
No caso da Andaluzia, a comunidade concentrou o maior número de ilícitos por número de registo falso (3.352 casos), enquanto que Madrid registou 300 casos nesta mesma categoria.
O Ministério do Consumo localizou na cidade de Madrid até 15.200 anúncios de pisos turísticos que incumpríam a normativa municipal, embora estes não pudessem ser eliminados no âmbito deste expediente já que se trata de uma competência local.
As Ilhas Baleares também figuram com um número significativo, alcançando os 4.305 ilícitos (4.289 sem registo). Outras comunidades que superaram o milhar de anúncios ilegais são Múrcia, com 2.709 (2.685 sem registo); Cantábria, com 2.510 (2.486 sem registo); Astúrias, com 2.198 (2.136 sem registo); e Catalunha, com 2.258 (803 sem registo).
Por sua parte, Castela e Leão acumulou 1.583 anúncios ilegais (1.580 sem registo), seguida de Aragão, com 1.369 (1.284 sem registo); Castela-Mancha, com 1.261 (1.260 sem registo); e o País Basco, com 1.127 (1.116 sem registo). Os territórios com menor número de ilícitos sancionados foram Navarra, com 274 casos (270 sem registo); Madrid, com 300; e La Rioja, com 130.
Origem do conflito
O conflito entre Airbnb e Consumo remonta a outubro de 2024. “O Ministério notificou a esta plataforma a existência de publicidade ilícita relativa a mais de 65.000 pisos turísticos”, explicou Bustinduy esta segunda-feira numa conferência de imprensa, mas “perante a inação [da companhia], iniciou-se o expediente sancionador em dezembro de 2024”. Ou seja, a multa surge pela recusa da empresa em retirar esses anúncios, uma vez advertida.
Até agora, esta é a segunda multa mais elevada que enfrenta uma empresa privada, após os 107 milhões de euros a Ryanair.
Airbnb considera “contrária ao quadro legal espanhol e europeu” a multa e lembra que a obrigação das plataformas de garantir que os anúncios mostram o número de registo foi incorporada nesta nova normativa, “pelo que não era aplicável quando se iniciou esta contenda em 2024, um ano antes da entrada em vigor das mencionadas obrigações a plataformas”.
“Airbnb terá o direito, se o considerar conveniente, de recorrer perante a Justiça, mas esta sanção é firme e portanto a companhia terá que pagar esta multa”, assegurou.